AE 1062

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “As sete cabeças são sete montes, onde a mulher se senta sobre eles”. Que isto signifique os bens da Palavra adulterados e profanados por aqueles que estão no domínio pela religiosidade, vê-se pela significação de ‘as sete cabeças da besta’, que são as coisas santas da Palavra profanadas (de que se tratou no n. 1040); pela significação de ‘sete montes’ que são os bens adulterados e profanados; (que pelos ‘montes’ sejam significados os bens do amor e, no sentido oposto, os males que são do amor, vide nos n. 405, 510, 850 e 1025); e que ‘sete’ seja atribuído ao que é santo e, no sentido oposto, o que é profano, n. 1040; daí, por ‘sete montes’ são significados os bens do amor, que também são os bens da Palavra, adulterados e profanados); e pela significação de ‘onde a mulher se senta sobre eles’, que é onde está o domínio por essa religiosidade; (que pela ‘mulher’ seja significada a religiosidade que têm os que são da Babilônia vê-se acima, n. 1038; e por ‘sentar’ é significado dominar, como acima, n. 1033 e 1038, onde se diz dessa mulher que ela ‘está sentada sobre muitas águas’ e ‘sentada sobre a besta escarlate’). Que seja o domínio por essa religiosidade que se entende aqui é porque aqueles que estão no domínio sobre as coisas santas da igreja e exercem esse domínio são os que se entendem por essa ‘mulher’, que é chamada ‘meretriz’ e ‘mãe das escortações e das abominações da terra, e não aqueles que estão no culto segundo essa religiosidade e não no domínio. Esses, quando vivem segundo os estatutos do papa e o reconhecem como substituto do Senhor, e guardam as coisas santas do culto segundo a instituição, não são diferentes dos pagãos probos, que não sabem outra coisa senão que as coisas os seus ministros e monges ensinam são verdadeiras, boas e santas, e isto, sobretudo, porque não leem a Palavra, alguns porque ela lhes foi tirada, outros porque, persuadidos, dependem da boca de seus monges e creem que somente esses, e não outros, compreendem a Palavra.
[2] Aqueles, porém, dentre o povo, que olham para o Senhor e, para o papa somente como cabeça da igreja, e estão em alguma afeição do vero, esses, de fato, estão na Babilônia, mas não são dela, porque, após a morte, podem ser tirados das coisas vãs dessa religiosidade e das idolatrias, e levados a cultuar e adorar o Senhor, e também recebem os veros do Senhor pela Palavra ou por aqueles que a ensinam. Até por isso é que foram instituídas pelo Senhor muitas sociedades, que são, todas, igrejas, compostas por eles, após o juízo final, das quais se tratará na sequência. No que concerne aos ‘sete montes’, sobre os quais a mulher foi vista sentada, acredita-se que são os sete montes de Roma, onde está o trono papal. É certo que também se entende Roma, todavia, pelos ‘sete montes’ são significados os bens e veros da Palavra adulterados e profanados, pois a Palavra é espiritual em toda parte, e isto é o seu espiritual. Que pelos ‘sete montes’ sejam significados os bens da Palavra adulterados e profanados é evidente também pelo que vem logo a seguir, onde se diz que pelas ‘sete cabeças da besta também sete reis’ são significados, e pelos ‘sete reis’, no sentido espiritual da Palavra, são significados os veros da Palavra falsificados e profanados.
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[3] Continuação sobre o quarto gênero de profanação
Aqueles que se entregam totalmente à vida de piedade, andam continuamente em pias meditações, oram frequentemente de joelhos, e conversam sobre a salvação, a fé e o amor em todo tempo e lugar, e, no entanto, não fogem das fraudes, dos adultérios, dos ódios, das blasfêmias e coisas semelhantes, como pecados contra Deus, nem lutam contra tais coisas, são os que mais profanam desse gênero. Com efeito, por sua mente impura eles poluem a piedade de sua boca, principalmente se se abdicam do mundo e vivem solitários. Desse gênero, os que profanam ainda mais são os que defendem os vícios, como os adultérios e as concupiscências que são de sua natureza e da volúpia daí, por meio de raciocínios pela Palavra falsamente interpretada. Esses se fazem primeiro seguros, depois inculpáveis e, finalmente, santos; e, assim, lançam-se nas coisas imundas sob o véu de santidade, com as quais poluem a si mesmos e as suas vestes.

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