. (Vers. 11) “E a besta, que era e não é, a mesma é o oitavo, e é [parte] dos sete, e vai para a destruição.” Que isto signifique que o vero que a Palavra é Divina também foi profanado e, todavia, rejeitado, vê-se pela significação de ‘besta’, que é a Palavra (de que se tratou acima, n. 1038); pela significação de ‘que era e não é’, que é que a Palavra fora lida e recebida no início, mas, depois, tirada e não lida (de que também se tratou acima, n. 1054); pela significação de ‘a mesma é o oitavo, e é [parte] dos sete’, ou seja, que foram profanados o bem e o vero que a Palavra para eles é Divina (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘ir para a destruição’, que é ser reconhecida por mera formalidade e, todavia, rejeitada (de que se tratou acima, n. 1055). Por aí se pode ver que essas palavras significam o vero do bem profanado, que a Palavra é Divina, quando, todavia, é rejeitada. Que ela seja recebida e reconhecida como Divina é porque a religiosidade deles é fundada principalmente nas chaves dadas a Pedro, das quais se diz na Palavra; mas, que ela seja, no entanto, rejeitada, é fato conhecido, pois ela foi tirada das pessoas comuns , não é lida nos templos, e aos ditames do papa se atribuem santidade e inspiração iguais às da Palavra; como, porém, essas ideias discordam da Palavra, ela é enfraquecida, e mesmo blasfemada, quando se estabelece que é lícito modificá-la segundo o estado da igreja. (Daí) é evidente que esse vero, que a Palavra é Divina, é profanado por eles.
[2] Que essas coisas sejam significadas por aquelas palavras, pode-se ver pelo fato de que pela ‘besta’, de que se trata neste capítulo, é significada a Palavra, e ela é chamada ‘oitavo rei’ e, no entanto, ‘é [parte] dos sete’. Que seja chamada ‘oitavo rei’ é porque pelo ‘rei’ é significado o vero, e pelo número ‘oito’, o bem, e, por ‘sete’, o vero do bem profanado, pois a Palavra é o vero conjunto ao bem, já que em cada uma de suas coisas há o casamento do bem e do vero. Que isto seja significado por essas palavras é claramente evidente pelo sentido delas, caso contrário ninguém poderia perceber, nem mesmo adivinhar, o que se deve entender pelo fato de ‘a besta ser o oitavo rei e, todavia, [ser parte] dos sete, e ir para a destruição’, porque ser o oitavo e, todavia, ser parte dos sete seria uma contradição. Tampouco alguém poderia perceber nem adivinhar o que se deve entender pelos ‘sete reis’, dos quais ‘cinco caíram, e um é, e o outro (ainda não) veio’; depois, também, o significa o que se diz da besta, a saber, ‘que era, e não é, entretanto, é’; e, depois, que ‘os dez reis darão autoridade à besta, e devastarão a meretriz’. Estas expressões seriam arcanos eternamente ocultos ao gênero humano, se não tivesse sido revelado que pelas palavras que estão neste capítulo é descrita a Babilônia quanto a Palavra.
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[3] Continuação sobre a Palavra
Que a Palavra seja o Divino Vero mesmo, que dá sabedoria aos anjos e ilumina os homens, é o que não se pode perceber nem ver senão pelo homem iluminado, porque a Palavra no sentido da letra aparece ao homem mundano – cuja mente não foi elevada acima da esfera sensual – tão simples que dificilmente existe algo mais simples. Nesse sentido, porém, o Divino Vero, como é no céu e do qual os anjos têm sabedoria, está encerrado como em seu sacrário, porque a Palavra, no sentido da letra, é como o santuário no meio do templo, coberto por um véu, em cujo interior são, como em repositórios, arcanos da sabedoria celestes tais como nenhum ouvido ouviu, pois, na Palavra, em cada uma de suas coisas, existe um sentido espiritual e, neste, o sentido Divino celeste, que, considerado em si mesmo, é o Divino Vero que está nos céus e dá sabedoria aos anjos e ilumina os homens. O Divino Vero que está nos céus é a luz que procede do Senhor como Sol, que é o Divino Amor. E visto que o Divino Vero procedente do Senhor é a luz do céu, também é a Divina Sabedoria. É ela que ilumina tanto as mentes quanto os olhos dos anjos, e é também a mesma que ilumina as mentes dos homens, mas não os seus olhos, e lhes concede entender o vero e, também, perceber o bem, quando o homem lê a Palavra não por si, mas pelo Senhor, pois então ele está em consociação com os anjos e, interiormente, em percepção semelhante à percepção espiritual dos anjos; e essa percepção espiritual, que o homem anjo tem, influi na sua percepção natural, que a sua própria no mundo, e a ilumina. Daí é que o homem que lê a Palavra pela afeição do vero tem iluminação oriunda do Senhor por meio do céu.
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