AE 1066

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “O outro ainda não veio; e quando vier, importa que ele permaneça pouco tempo.” Que isto signifique o vero profanado o vero profanado de que a autoridade do Senhor sobre a terra, assumida por eles, não é considerada Divina, quando, todavia, é Divina, vê-se pela significação de ‘outro rei’, dos dois restantes depois que cinco dos sete caíram, que é o vero profanado; aqui, é outro vero, mas fazendo com o anterior, com a diferença de que a autoridade do Senhor sobre o céu e a terra, que eles transferiram para si, não é Divina, quando, todavia, é Divina; e visto que é Divina e, todavia, se nega que seja Divina, é dito que ‘esse rei’, isto é, esse vero profanado, ‘ainda não veio’, e que, ‘quando vier, importa que ele permaneça pouco tempo’, pelo que é significado que essa autoridade é Divina, embora seja dito que não seja Divina. Que isto seja significado por ‘o outro rei’ é porque age em comum com o rei anterior, com a única diferença quanto a autoridade ser Divina ou não. Que aja em comum com o anterior com essa diferença é evidente pelo versículo seguinte, onde se diz da ‘besta’ que ela é o ‘oitavo rei’ e, no entanto, ‘[faz parte] dos sete’; por isso, quando se diz que a besta é ‘rei [que faz parte] dos sete’, segue-se que esses dois reis – que restaram após os cinco que caíram, dos quais se diz ‘um’ e ‘outro’ – se referem a uma só coisa ou a um só vero profanado, e o outro vero profanado é o que é significado pela ‘besta’, por ela ser chamada ‘um rei dos sete’.
[2] No que concerne a esse ponto mesmo, é sabido que eles dizem que a autoridade sobre o céu e sobre as almas dos homens, para salvá-los, não é Divina, porque foi a autoridade do Humano do Senhor transferida a Ele por Deus Pai, e, do Senhor, a Pedro. Mas isto eles dizem por causa do temor, para que as pessoas comuns não se afastem deles. Que, no entanto, essa autoridade seja Divina, vê-se claramente pelo seguinte: após Deus ter criado o universo, a coisa principal da autoridade Divina é libertar os homens do inferno e salvá-los. Com efeito, o homem não é salvo num só momento, porque é reformado e regenerado pelo Senhor gradativamente, desde a infância até o último instante de sua vida no mundo e, em seguida, na eternidade, e uma autoridade humana nada pode promover em relação a isso. Eles não sabem, porque não querem saber, que o homem é reformado e regenerado assim pelo Senhor; por isso persuadem de que a salvação é instantânea e é somente a admissão no céu, o que, todavia, é um falso enorme. Mas, a esse respeito, muitas coisas serão ditas em outros lugares.
* * * * * * *
[3] Continuação a respeito da Palavra
Em suma, a Palavra é o Divino Vero, que dá sabedoria aos anjos e ilumina os homens. Visto que o Divino Vero procede do Senhor, e o que procede é Ele mesmo fora d’Ele, assim como a luz e o calor procedem do sol e são o sol ou do sol fora do sol, e como a Palavra é o Divino Vero, ela é também o Senhor, como Ele é chamado em João (1:1, 3, 14). Uma vez que o Divino Vero, que é a Palavra, enviado ao mundo desde o Senhor, passou pelos três céus, por isso ela foi acomodada a cada um dos céus e, por último, também aos homens no mundo. Por isso é que na Palavra há quatro sentidos, um por fora do outro, desde o céu supremo até o mundo, ou um por dentro do outro, desde o mundo até o supremo céu. Esses quatro sentidos são chamados celeste, espiritual, natural do celeste e do espiritual, e meramente natural. Este último é para o mundo, o anterior é para o céu mais externo, o espiritual para o segundo céu, e o celeste para o terceiro. Esses quatro sentidos são muito diferentes entre si, a ponto de que, quando um se mostra, os outros não são discerníveis. No entanto, eles fazem um, só, quando um segue o outro, pois um segue o outro como o efeito segue a causa, e como o posterior segue o anterior, pelo que o efeito representa a causa e corresponde à causa; assim, o sentido posterior em relação ao anterior. Daí vem que todos os quatro sentidos fazem um pelas correspondências.
[4] Do que foi dito, segue-se: Que o último sentido da Palavra, que é o sentido de sua letra e o quarto em ordem, contenha em si três sentidos interiores, que são para os três céus. Que esses três sentidos sejam expostos e se mostrem nos céus, quando o homem nas terras lê santamente a Palavra. Que, daí, seja pelo sentido da letra da Palavra que se faz comunicação com os céus, e, também, por esse sentido é que se faz a conjunção do homem com os céus. Que o sentido da letra da Palavra seja a base do Divino Vero nos céus, e o que o Divino Vero sem essa base seria como uma casa sem a fundação; e que a sabedoria dos anjos sem essa base seria como uma casa no ar. Que o poder do Divino Vero consista no sentida da letra da Palavra. Que o homem seja iluminado pelo Senhor pelo sentido da letra, pelo qual ele tem resposta quando quer ser iluminado. Que tudo da doutrina nas terras seja confirmado pelo sentido da letra da Palavra. Que o Divino Vero no sentido da letra este em sua plenitude. Que o Divino Vero no sentido da letra esteja em sua santidade.

[VERSAO IMPRESSA]

Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.