AE 1065

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E um é”. Que isto signifique o vero adulterado e profanado, de que a autoridade do Senhor sobre o céu e sobre a terra, assim, sobre os homens para salvá-los, foi transferida ao maioral deles e, dele, aos restantes que estão abaixo dele, vê-se pela série das coisas, considerada no sentido interno, porque, quando pelos ‘sete reis’ são significados todos os veros da Palavra profanados, e quando por ‘cinco caíram’ é significado que isto não se atribui aos veros restantes, ou que passaram, mas somente aos dois que são os cabeças dos outros, a saber, a respeito da autoridade do Senhor sobre o céu e sobre a terra, e sobre a Palavra, segue-se que por ‘um rei que é’ e por ‘o outro que virá’ é significada a transferência da autoridade do Senhor ao maioral deles, e pela ‘besta, que é o oitavo rei’, é significado o reconhecimento da Palavra como Divina, e, não obstante, a sua rejeição.
[2] No que se refere ao assunto mesmo, a saber, que eles transferiram a autoridade do Senhor sobre o céu e sobre a terra, assim, sobre os homens, para salvá-los, ao maioral deles, e, dele, aos restantes abaixo dele, isto é notório. Disto se nota que de todo coração e de toda mente eles aspiram ser deuses sobre a terra, por conseguinte, serem adorados com culto Divino. Que o maioral deles seja adorado como Deus em lugar do Senhor é evidente por sua veneração de joelhos, pela osculação santa de seus sapatos e, também, das pegadas de seus pés. Essa veneração, ou melhor, adoração resulta do falto de que ele pode abrir o céu pelas chaves de Pedro, por conseguinte, dar o céu a qualquer um que lhe agrade; e, também fechar o céu pelas mesmas [chaves], por conseguinte, lançar no inferno a quem quiser. E nem isso lhes basta, pois aspiram o domínio sobre a terra, e para esse fim eles ajuntam e levam para seus monastérios, que são tantas tesourarias, as riquezas dos reinos do mundo, sob vários pretextos de santidade. E, assim como as almas dos homens, também os seus recursos eles sujeitam a si; consequentemente, não apenas as coisas que são do céu com os homens, mas também as que são do mundo com eles. Com efeito, eles sabem que aquele que possui as almas dos homens, e possui, além disso, as riquezas deles, esse possui os homens como se fosse Deus, e pode transferir a si uma espécie de culto Divino. Daí é evidente que aqueles que são da Babilônia de hoje aspiram, de todo coração e mente, ser deuses, para serem adorados com um culto Divino. Mas, embora aspirem isso, todavia negam que tenham transferido a si algo Divino, assunto de que se tratará no artigo seguinte.
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[3] [Da Palavra]
No que agora se segue, tratar-se-á, a título de apêndice, da Palavra e de sua santidade. Tem sido dito desde a antiguidade que a Palavra vem de Deus, é divinamente inspirada e, daí, santa. Entretanto, até o presente não se soube onde está nela o Divino, pois a Palavra na letra parece um escrito vulgar, de um estilo estranho, não sublime nem brilhante, como os escritos seculares. Daí vem que o homem que adora a natureza de preferência a Deus ou em lugar de Deus, e, daí, pensa por si mesmo e por seu proprium, e não pelo céu desde o Senhor, cai facilmente no erro a respeito da Palavra e no desprezo por ela, dizendo de coração quando a lê: “O que é isto? O que é aquilo? Será que isto é Divino? Porventura Deus, cuja sabedoria é infinita, pode falar assim? Onde está e donde vem a sua santidade, senão de uma religiosidade a cujos ministros elas serve?” E outras indagações semelhantes. Mas, para que saibam que a Palavra é Divina não somente em todo sentido, mas, também, em cada vocábulo, foi revelado o seu sentido interno, que é espiritual, que está encerrado no seu sentido externo, que é o natural, como a alma em seu corpo. Este sentido pode testificar a respeito da Divindade e, assim, da santidade da Palavra, e convencer até o homem natural, se ele quiser ser convencido, que a Palavra é Divina.

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