AE 1072

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 14) “Estes lutarão com o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá”. Que isto signifique que hão de ter disputa, com aqueles que se entendem pela ‘meretriz’, a respeito da santidade da Palavra e a respeito da autoridade do Senhor para salvar os homens, e que o Senhor livrará aqueles que querem ser conduzidos pela Palavra por Ele, e não pela mulher meretriz, vê-se pela significação de ‘lutar com o Cordeiro’ que é ter disputa a respeito da santidade da Palavra e a respeito da autoridade do Senhor para salvar os homens, pois os que têm disputa a respeito disso, esses lutam com o Senhor e não contra o Senhor, porque o Senhor é a Palavra e o Senhor é a Salvação; e pela significação de ‘e o Cordeiro os vencerá’, ou seja, que Ele livra aqueles que querem ser instruídos e conduzidos por Ele por meio da Palavra. Que sejam estes a quem o Senhor vence é evidente pelo que se segue nesse versículo, que são os ‘que estão com Ele, os chamados, e os eleitos, e os fiéis’. Estes são todos aqueles, nos reinos sujeitos ao domínio papal, que somente chamam ao papa ‘cabeça da igreja’ e não substituto, no sentido que está no lugar do Senhor no mundo quanto à autoridade de abrir e de fechar o céu à vontade, uma vez que essa autoridade é a autoridade Divina que não pode ser transferida a homem algum. E, também, que não é permitido ao papa modificar as coisas santas da Palavra e editar coisas novas que não sejam concordantes [com a Palavra]. São esses que se entendem aqui.
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[2] Continuação a respeito da Palavra
Para o homem que conduz a si mesmo não é evidente que a Palavra é santa e Divina desde os íntimos até os extremos, mas isto é evidente para o homem a quem o Senhor conduz. O homem que conduz a si mesmo não vê senão o externo da Palavra e julga por esse estilo, enquanto o homem a quem o Senhor conduz julga o externo da Palavra pela santidade que aí está presente. A Palavra é como um jardim, que deve ser chamado paraíso celeste, na qual se acham iguarias e delícias de todo gênero: iguarias dos frutos, e delícias das flores. No meio do jardim estão árvores da vida, junto às quais há fontes de água viva, e ao redor há árvores da floresta, junto às quais há rios. O homem que conduz a si mesmo julga esse paraíso, que é a Palavra, pelo seu arredor, onde há árvores da floresta, enquanto o homem a quem o Senhor conduz julga pelo meio do jardim, onde estão as árvores da vida. O homem a quem o Senhor conduz está, em realidade, nesse meio, e olha para o Senhor, enquanto o homem que conduz a si mesmo se senta, em realidade, no arredor e olha para cá, o mundo.
[3] A Palavra é como um fruto no qual há a polpa [caro] nutriente e, no seu meio, as tecas das sementes, nas quais está intimamente o prolífico, que germina em boa terra. E a Palavra é como uma criança belíssima envolta em faixas por cima de faixas, com exceção da face. A criança mesma está no céu íntimo; as faixas, nos céus inferiores; e o invólucro geral das faixas, na terra. Visto que a Palavra é assim, ela é santa e Divina desde os íntimos até os externos.

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