. “Porque é o Senhor dos senhores, e o Rei dos reis”. Que isto signifique porque o Senhor é o Bem mesmo e o Vero mesmo, e, assim, onipotente, vê-se pelo fato de o Senhor ser chamado ‘Senhor’ por causa do Divino Bem, e ‘Rei’ por causa do Divino Vero. Há duas coisas que procedem do Senhor, a saber, o Divino Bem e o Divino Vero. Esses dois procedem unidos do Senhor, mas, no céu, não são recebidos tão unidos pelos anjos. No céu supremo ou terceiro, o Divino Bem é recebido mais do que o Divino Vero; no céu médio ou segundo, o Divino Vero é recebido mais do que o Divino Bem. Por isso, o terceiro céu é chamado Domínio do Senhor, e o segundo céu é chamado Reino do Senhor; e, daí, os anjos que estão no terceiro céu são chamados filhos do Senhor e, assim também, senhores; e os anjos no segundo céu são chamados filhos do reino e filhos do Rei, assim também, reis. Estes e aqueles anjos se entendem se entendem pelos ‘senhores’ e pelos ‘reis’, quando o Senhor é chamado ‘Senhor dos senhores’ e ‘Rei dos reis’, assim como, quando Ele é chamado ‘Deus dos deuses’, por ‘Deus’ se entende o Senhor, e por ‘deuses’, os anjos. Mas, em geral, pelos ‘senhores’, no sentido espiritual, se entendem todos os que estão no bem do amor ao Senhor pelo Senhor, e pelos ‘reis’ os que estão na doutrina do vero por esse amor, quer estejam nos céus, quer estejam nas terras. Ora, visto que todo bem do amor e, daí, da caridade, e todo vero da doutrina e, daí, da fé, são dados ao homem pelo Senhor por meio da Palavra, e isto sabem aqueles que atribuem ao Senhor o poder Divino de salvar os homens e a Divina santidade da Palavra, por isso se diz aqui que o Cordeiro os vencerá, ‘porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis’, isto é, porque somente o Senhor é o Divino Bem e o Divino Vero, e, assim também, a Palavra. Uma vez que o Senhor opera todas as coisas pelo Divino Bem por meio do Divino Vero, por isso, também, por ‘Senhor dos senhores e Rei dos reis’ se entende o Senhor como onipotente.
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[2] Continuação a respeito da Palavra
Que a Palavra seja tal é porque em sua origem ela é o Divino Vero mesmo procedente do Senhor, que é chamado Divino Vero; e este, quando desceu aos homens no mundo, passou pelos céus em sua ordem segundo os graus dos céus, que são três, e em cada céu foi escrita de modo acomodado à sabedoria e à inteligência dos anjos ali; e, finalmente, foi trazido aos homens pelo Senhor, por meio dos céus, e aí foi escrito e promulgado de modo acomodado ao entendimento e à compreensão deles. Este é, então, o sentido de sua letra, no qual o Divino Vero, tal como é nos três céus, está encerrado distintamente em ordem. Por aí é evidente que toda sabedoria dos anjos, que estão nos três céus, foi posta em nossa Palavra pelo Senhor, e no seu íntimo há a sabedoria dos anjos do terceiro céu, a qual é incompreensível e inefável, porque é cheia de arcanos e tesouros das Divinas verdades. Estes se acham ocultos em todas e cada uma das coisas de nossa Palavra. E como o Divino Vero é o Senhor nos céus, por isso também o Senhor está presente em todas e cada uma das coisas de Sua Palavra, como em Seus céus, e pode-se dizer que Ele aí habita. É semelhante ao que Ele disse a respeito da arca da aliança, na qual foram depositados os Dez Preceitos escritos nas duas tábuas, as primícias da Palavra, pois disse que aí Ele falava com Moisés e Aarão, que estava presente ali e habitava ali, e que isto era o Seu santo dos santos e, também, habitáculo, como no céu.
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