AE 1087

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Até que sejam consumadas as palavras de Deus”. Que isto signifique até o último estado da igreja, quando há o juízo e, depois, o que é novo, vê-se pela significação de ‘ser consumado’, que é ter fim, especificamente quando não resta mais vero e bem algum da doutrina e da vida, assim, quando chega o último estado da igreja; (que a ‘consumação’ signifique o último estado da igreja vê-se nos n. 624 e 911); e, quando chega o último estado da igreja, vem o juízo final e, depois dela, uma nova igreja é instaurada pelo Senhor; por isso, ‘ser consumado’ significa o último estado da igreja, quando há o juízo e, depois, o que é novo; e pela significação de ‘palavras de Deus’, que são as predições na Palavra; por isso, ‘as palavras de Deus serem consumadas’ significa quando as predições forem completas. Que se atribua aos que aqui são significados pelos ‘dez chifres da besta’ o fato de que eles haviam de ‘devastar a meretriz, comer as suas carnes e queimá-la no fogo’ e que ‘havia de dar o reino à besta, até que fossem consumadas das palavras de Deus’ é porque aqueles que se afastaram completamente da Babilônia e rejeitaram as suas profanações, também foram devastados quanto a todos os veros e bens do céu, ou, porque eles igualmente falsificaram a Palavra, não pelo princípio de dominação sobre as coisas santas da igreja e sobre o céu, mas pelo princípio da separação entre as obras e a fé; após essa separação não existe mais o viver pelo Senhor, mas o viver por si e pelo mundo, vida essa que é a vida do mal oriundo do falso. Por isso, ‘quando forem consumadas as palavras de Deus’ entende-se quando eles, também, forem devastados.
* * * * * * *
[2] Continuação sobre a Palavra
Ora, como no último sentido da Palavra que é chamado sentido da letra, estão simultaneamente todas as coisas interiores, a saber, as espirituais e celestes que estão na Palavra nos três céus – pois em seus íntimos se acham as coisas que estão com os anjos do terceiro céu, e em seus médios as coisas que há nas Palavras dos anjos dos céus inferiores, e essas envoltas e inclusas nas coisas tais que existem na natureza de nosso mundo – destas e daquelas vem o sentido da letra da nossa Palavra. Daí se pode ver que o Divino Vero no sentido da letra de nossa Palavra está em seu pleno. Chama-se pleno aquilo que em si contem todas as coisas anteriores até a primeira, ou, todas as coisas superiores até a suprema; o último é o que as inclui. A plenitude da Palavra é como um vaso comum de mármore no qual há inumeráveis vasos menores de cristal, e, nestes, outros mais inumeráveis de pedras preciosas, nos quais e ao redor dos quais há coisas deliciosíssimas do céu, que são para aqueles que pela Palavra prestam usos nobres. Que a Palavra seja assim, não aparece ao homem enquanto está no mundo, mas aparece-lhe quando se torna anjo. Visto que a Palavra nos últimos é tal, segue-se que ela não é Palavra antes de estar nesse último, assim, antes de estar no sentido da letra. Se não estivesse no último, a Palavra seria como um templo no ar e não sobre a terra, ou como um homem na carne e não ao mesmo tempo nos ossos.
[3] Como o Divino Vero em seu último está em seu pleno e, também, em seu poder – porque, quando está no último, está ao mesmo tempo em tudo – por isso o Senhor nunca opera senão a partir dos primeiros por meio dos últimos, consequentemente, no que é pleno, pois não reforma e regenera o homem senão pelos veros nos últimos, que são os veros naturais. Por isso é que, qual é o homem no mundo, tal permanece na eternidade, após ter saído do mundo. Por isso, também, que o céu e o inferno vêm do gênero humano, e não anjos imediatamente criados, porque o homem no mundo está em seu pleno, pelo que pode aí ser concebido e nascer, e, em seguida, ser imbuído de conhecimento, inteligência e sabedoria, e tornar-se anjos. Criar anjos de outra maneira não é possível.
[4] Visto que o Senhor opera todas as coisas a partir dos primeiros por meio dos últimos, e nos últimos está em Seu poder e em Seu pleno, por isso aprouve o Senhor assumir o Humano e torná-lo Divino, isto é, a Palavra, e, assim, por Si, repor em ordem todas as coisas do céu e todas as coisas do inferno, isto é, fazer o juízo final. Isto o Senhor pôde realizar pelo Divino n’Ele, que estava nos primeiros, por Seu Humano, que estava nos últimos, e não por Sua presença ou morada nos homens da igreja, como outrora, pois esses deixaram completamente os veros e bens da Palavra, nos quais houvera anteriormente o habitáculo do Senhor nos homens. Esta foi a primeira razão do advento do Senhor ao mundo, assim também para fazer Divino o Seu Humano, porque por esse modo Ele se pôs no poder para que pudesse manter eternamente em ordem todas as coisas do céu e todas as coisas do inferno. Isto é o que se entende por
Sentar-Se à direita de Deus (Mc. 16:19);
a ‘direita de Deus’ é a Divina onipotência, e ‘sentar-Se à direita’ é estar nela pelo Humano. Que o Senhor tenha subido aos céus com o Seu Humano glorificado até os últimos, Ele mesmo o testificou em Lucas:
Disse Jesus aos discípulos: “Vede as Minhas mãos, e os Meus pés, que Sou Eu mesmo. Apalpai-Me e vede, pois um espírito não tem carne e ossos como Me vedes ter” (Lc. 24:39).
Isto o Senhor disse logo após a ressureição; ‘carne e osso’ são os últimos do corpo humano, de que a sua força depende.

[VERSAO IMPRESSA]

Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.