AE 1139

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Porque ninguém mais compra as mercadorias deles.” Que isto signifique que os seus males e falsos, pelos quais têm os ganhos, não são mais recebidos, vê-se pela significação de ‘mercadorias’, que são os falsos e males da doutrina e dessa religiosidade, pelos quais eles têm ganhos, ganhos esses que são as honras e as riquezas; (que estas sejam significadas por ‘mercadorias’ vê-se pela significação de ‘mercadores’, que são aqueles que adquirem para si e vendem tais coisas, conforme se viu logo acima, n. 1138); quais falsos e males especificamente são aqui significados por ‘mercadorias’ é evidente pela sequência, onde são elas são enumeradas. Essas ‘mercadorias’, por serem da Babilônia, que é chamada ‘meretriz e mais das escortações da terra’, são as que se entendem na Palavra por ‘mercadorias do meretrício’, que são as falsificações e adulterações do bem e do vero (vide n. 695); e pela significação de ‘não comprar mais’, que é não receber mais; por não serem recebidas entende-se que os males e falsos deles não são mais recebidos no mundo espiritual, mas é diferente no mundo natural, pois todos os que são da terra de Babel, após a morte entram no mundo espiritual e são examinados e, segundo os amores deles, enviados a sociedades; os males, às sociedades infernais, e os bons são instruídos e, em seguida, segundo a recepção do vero e do bem do Senhor, são recebidos no céu.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
Que o homem sinta e perceba a vida como se estivesse nele é porque a vida do Senhor nele é como a luz e o calor do sol num sujeito, os quais não pertencem ao sujeito, mas ao sol nele, pois se retiram com o sol. E como estão no sujeito, são, em aparência, tudo o que é seu; da luz vem a sua cor, como se estivesse nele, e do calor vem a vida de sua vegetação, como se estivesse nele. Mas muito mais em relação à luz e ao calor do Sol do mundo espiritual, que é o Senhor, cuja luz é a luz da vida e cujo valor é o calor da vida, porque o Sol de que procedem é o Divino Amor do Senhor, enquanto o homem é o sujeito recipiente. Essa luz e esse calor nunca se retiram do homem que é recipiente, e quando estão aí dão a aparência de que tudo é seu. Pela luz ele tem a faculdade de entender, e pelo calor a faculdade de querer. Pelo fato de a luz e o calor serem como se fosse tudo no recipiente – embora não sejam dele – e pelo fato de nunca se retirarem, bem como pelo fato de afetarem os seus íntimos, que estão afastados da visão do entendimento e do sentido de sua vontade, por isso não podem deixar de parecer que são ínsitos nele e, assim, que são como se viessem dele. Daí é, agora, que o homem não sabe outra coisa senão que pensa por si e quer por si, quando, todavia, nada vem dele em si, pois nada pode se unir ao recipiente a ponto de ser seu, exatamente como a luz do sol não pode se unir ao sujeito da terra e se tornar material como ele. É semelhante em relação ao calor. Mas a luz da vida e o calor da vida afetam e enchem o recipiente inteiramente segundo a qualidade do reconhecimento de que não são seus, mas do Senhor. E a qualidade do reconhecimento é inteiramente segundo a qualidade do amor de cumprir os preceitos, que são os usos.
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