AE 1141

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 12:) “Mercadorias de ouro e de prata”. Que isto signifique todos os bens e veros da Palavra, da doutrina e da igreja em geral, profanados por eles, assim, todos os males e falsos em geral, pelas quais eles têm ganhos, vê-se pela significação de ‘mercadorias’, que são todas as coisas pelas quais tiveram ganhos, que, como se dizem a respeito da igreja, significam todos os males e falsos (de que se tratou logo acima, n. 1139); pela significação de ‘ouro e prata’, que são os bens e veros (de que se tratou no n. 242), aqui, os mesmos profanados, portanto, males e falsos, porque são da Babilônia, porque os bens e veros da Palavra, quando são profanados, não são mais bens e veros, mas males e falsos. São profanados pelas falsificações e adulterações, e pela vida segundo estas. O que são, donde vê e quais são as profanações, vê-se acima (n. 1045-1099). Que todas as coisas em geral sejam significadas pelas ‘mercadorias de ouro e de prata’ é porque na sequência deste versículo são enumerados os bens e veros profanados, que são males e falsos em particular, e são significados por ‘pedra preciosa’, ‘pérola’, ‘linho fino’, ‘púrpura’, ‘seda’, ‘escarlate’, ‘madeira de tuia’, ‘vaso de marfim’, ‘vaso de madeira preciosa’, ‘bronze’, ‘ferro’ e ‘mármore’. Que pelas coisas que se acham neste versículo sejam significadas todas as coisas da Palavra, da doutrina e da igreja é porque pelas coisas que são enumeradas no versículo seguinte, 13, são significadas todas as coisas do culto, e pelas coisas que são enumeradas no versículo 14, todas as coisas dos efeitos. Por aí é evidente que pelas ‘mercadorias de ouro e de prata’, aqui, são significados os bens e veros da Palavra, da doutrina e da igreja em geral, profanadas por eles, assim, os males e falsos em geral pelos quais eles têm ganhos.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
(iii.) A terceira lei da Divina providência é: Que pelo livre segundo a razão pensar e falar o vero, e querer e fazer o bem não vem do homem, mas do Senhor; e que pelo livre pensar e falar o falso, e querer e fazer o mal, não vem tampouco do homem, mas do inferno; assim, embora o mal e o falso venham dali, todavia o livre mesmo, considerado em si mesmo, e a faculdade mesma de pensar, querer, falar e fazer, considerada em si mesma, vêm do Senhor. Que todo bem que em si é bem, e todo vero que em si é vero, não venham do homem, mas do Senhor, é o que o entendimento pode compreender pelo fato de que luz que procede do Senhor como Sol é o Divino Vero de Sua Sabedoria, e o calor que também procede do Senhor como Sol é o Divino Bem de Seu Divino Amor. E visto que o homem é um recipiente destes, segue-se que todo bem que é do amor e todo vero que é da sabedoria não são do homem, mas do Senhor. Mas, que todo mal e todo falso não venham tampouco do homem, mas venham do inferno, isto, porque não foi tão ouvido antes, nem se tornou da fé, como o fato de que o bem e o vero não vêm do homem. Que isto também seja uma aparência e, se for crida, uma falácia, é o que não se pode compreender antes que se sabia o que é o inferno e de que maneira o mesmo pode influir com o mal e o falso de uma parte, conforme o Senhor influi com o bem e o vero de outra. Por isso, dir-se-á primeiramente de quem o inferno consiste, o que é o inferno e de onde vem, também de que maneira influi e age contra o bem, e, assim, de que maneira o homem, que está no meio, é atuado por ambas as partes, apenas como recipiente.

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