. “E de pedra preciosa e de pérola”. Que isto signifique as cognições do vero e do bem da Palavra, profanadas, vê-se pela significação de ‘pedra preciosa’, que são as cognições do vero da Palavra (de que se tratou no n. 717), e pela significação de ‘pérola’, que são as cognições do bem (de que se tratou no n. 1044); e como essas cognições são os conhecimentos verdadeiros [vera scientifica] ou os veros do homem natural, por isso pela ‘pedra preciosa’ são significados os veros pelos quais há os bens, e pelas ‘pérolas’, os bens pelos quais há os veros; porque em toda parte na Palavra existe o casamento do vero e do bem, e a causa disso é porque o vero não é vero a menos que considere o bem ou proceda do bem, e o bem não é bem a menos que seja considerado dos veros ou exista pelos veros; assim os veros e os bens são conjuntos como num casamento, e os veros e bens passam existir como de um casamento. Daí é, então, que aqui como em outras passagens na Palavra são mencionados pares, um dos quais significando o bem e o outro, o vero, como ‘ouro e prata’, ‘pedra preciosa e pérola’, ‘linho fino e púrpura’, ‘seda e escarlate’, ‘vaso de marfim e vaso de madeira preciosa’ e ‘bronze, ferro e mármore’. Aí, ‘ouro’, ‘pérola’, ‘púrpura’, ‘escarlate’, ‘madeira preciosa’ e bronze’ significam os bens de diversos gêneros, e ‘prata’, ‘pedra preciosa’, ‘linho fino’, ‘seda’, ‘marfim’, ‘ferro’ e ‘mármore’ significam os veros, também de diversos gêneros. Ocorre de modo semelhante em outras passagens. Por todas essas coisas aqui são significados os bens e veros profanados, assim, os males e falsos, como foi dito logo acima a respeito da significação de ouro e prata.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
Dir-se-á primeiramente, portanto, de quem o inferno consiste. O inferno consiste de espíritos que, quando foram homens no mundo, negaram a Deus, reconheceram a natureza, viveram contra a ordem Divina, amaram os males e falsos, ainda que não tanto diante do mundo, por causa das aparências, e que, daí, ou se tornaram insanos nos veros, ou desprezaram os veros ou os negaram, se não de boca, contudo de coração. Dos que foram tais, desde a criação do mundo, é o inferno. Todos os que estão ali são chamados diabos ou satanases; diabos, aqueles em que predominou o amor de si, e satanases, aqueles em que predominou o amor do mundo. O inferno onde estão os diabos se entende na Palavra por ‘diabo’, e o inferno onde estão os satanases se entende ali por ‘satanás’. O Senhor também conjunta esses diabos para que sejam como um só, mesmo os satanases; daí é que os infernos são nomeados ‘diabo’ e ‘satanás’, no singular. O inferno não consiste de espíritos criados imediatamente, mas de homens nascidos no mundo que a si mesmos se fizeram diabos ou satanases. E o céu, semelhantemente, de homens nascidos no mundo que aí foram feitos anjos pelo Senhor. Todos os homens são espíritos quanto aos interiores que pertencem às suas mentes, revestidos no mundo de um corpo material que está sob a direção do pensamento de seu espírito e sob o arbítrio de sua afeição, porque a mente, que é espírito, atua, e o corpo, que é matéria, é atuado. E todo espírito, após a rejeição do corpo material, é homem semelhante à forma que o homem teve no mundo (vide acima, n. 1127). Por aí se vê de quem o inferno consiste.
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