. “E cavalos e carroças”. Que isto signifique o culto pelos veros do bem que são de origem racional, profanado, vê-se pela significação de ‘cavalos’, que são as coisas intelectuais (de que se tratou nos n. 355, 364, 372, 373, 381, 382, 575 e 923), assim também os veros que são de origem espiritual, pois as coisas que são do entendimento são do vero e são da razão; e pela significação de ‘carroças’, que são os bens de origem racional, porque são puxadas por cavalos, pelos quais são significados os veros dessa origem. Com efeito, as carroças são uma espécie de carro, e pelos ‘carros’ são significadas as coisas doutrinais (vide n. 355) que, quando são levadas pelos veros, como os carros o são pelos cavalos, são os bens, pois as doutrinas ensinam os veros e, também, os bens.
[2] Coisas semelhantes são significadas pelas ‘carroças’ em Isaías:
“Então trarão todos os vossos irmãos, de todas as nações, ofertas a Jehovah, sobre cavalos, sobre carros, e sobe carroças cobertas, e sobre mulos, e sobre bestas ligeiras, ao monte de Minha santidade, a Jerusalém” (Is. 66:20);
por ‘cavalos’, ’carro’, ‘carroças cobertas’, ‘mulos’ e ‘bestas ligeiras’ entendem-se no sentido espiritual as coisas que pertencem à doutrina e, daí, à igreja, pois essas palavras foram ditas a respeito da nova igreja a ser instaurada pelo Senhor, porque os ‘cavalos’ significam as coisas intelectuais; o ‘carro’, a doutrina; as ‘carroças cobertas’; os doutrinais do bem; os ‘mulos’ as coisas racionais e as ‘bestas ligeiras’ as mesmas coisas quanto ao bens; os ‘irmãos’ que os trarão significa todos os que estão nos bens da caridade, e ‘Jerusalém, monte de santidade’ significa a igreja em que a caridade reina. Que aqui sejam significadas essas coisas profanadas é porque pertencem à Babilônia, pela qual é significada a profanação do vero e do bem.
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[3] Continuação a respeito da Fé Atanasiana e sobre o Senhor
(vi.) A sexta lei da Divina providência é: Que o homem não seja reformado por meios externos, mas por meios internos. Por meios externos é por milagres e visões, e também por temores e punições; por meios internos é pelos veros e bens da Palavra e pela doutrina da igreja e por olhar para o Senhor, pois estes meios entram pela via interna e removem os males e falsos que residem interiormente, mas os meios externos entram pela via externa e não removem os males e falsos, mas os fecham. Não obstante, o homem é adicionalmente reformado por meios externos quando foi anteriormente reformado por meios internos. Isto segue como consequência das leis acima citadas, a saber, destas: que o homem seja reforma pelo livre e não sem o livre; também, que constranger a si mesmo vem do livre, mas não ser constrangido; e por milagres e visões, como também por temores e punições, o homem é constrangido; por milagres e visões é constrangido o externo de seu espírito, que é o pensar e o querer; e por temores e punições é constrangido o externo de seu corpo, que é o falar e o fazer. Este pode ser constrangido, pois o homem livremente pensa e quer, mas o externo de seu espírito, que é o pensar e o querer, não deve ser constrangido, pois assim perece o seu livre interno, pelo qual ele deve ser reformado.
[4] Se o homem pudesse ser reformado por meio de milagres e visões, seriam reformados todos, no mundo todo. Por isso é uma lei santa da Divina providência que o livre interno não seja de modo algum violado, pois por ele o Senhor entra no homem até o inferno, onde está, e por ele o conduz ali, e, se o homem quiser, o conduz para fora dali e o introduz no céu e, aí, cada vez mais próximo a Si. Assim, e não de outro modo, o homem é conduzido para fora do livre infernal, que, considerado em si mesmo, é servidão, porque vem do inferno, e introduzido no livre celestes, que é o livre mesmo, e se torna gradualmente mais livre e, finalmente, libérrimo, porque o é pelo Senhor, que quer que o homem não seja constrangido de maneira alguma. Este caminho é o da reforma do homem, mas os milagres e as visões fecham este caminho.
[5] O livre do espírito do homem não é violado jamais também por causa deste fim, que o seu mal, tanto o hereditário quanto o ativo, possa ser removido, o que acontece quando o homem constrange a si mesmo, como foi dito acima. Esses males são removidos pelo Senhor por meio da afeição do vero inspirada no homem, da qual ele tem inteligência, e pela afeição do bem, pela qual ele tem amor. Quanto mais o homem está nessas afeições, tanto mais se constrange a resistir os males e falsos. Esse caminho da reforma também é fechado por milagres e visões, pois estes persuadem e constrangem a crer e, assim, lançam os pensamentos como que acorrentados num cárcere. Assim, sendo tirado o livre, não é possível remover uma abundância de males do interior, pois nada do mal é removido senão do inferior. Assim os males permanecem fechados e, por seu livre infernal, que amam, agem continuamente contra esses veros e esses bens que os milagres e as visões tinham imprimido e, finalmente os dissipam, chamando-os milagres de operações interiores da natureza, e as visões, fantasias de delírio, e os veros e bens falácias e ludíbrios, pois os males fechados não agem nos externos, os quais fecham. Entretanto, o homem, quando apenas pensa livremente, pode crer que milagres e visões, embora persuadam, não tiram, todavia a liberdade de pensar. Mas a tiram nos não reformados, ao passo que nos reformados não a atiram, pois fecham os males naqueles e não nestes.
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