. (Vers. 14) “E os frutos de desejo de tua alma se foram de ti”. Que isto signifique que as alegrias e regozijos, que eram visadas pelo culto e por uma vida segundo as tradições da nação babilônica, se converteram em choro e dor, vê-se pela significação de ‘fruto de desejo da alma’, que são as alegrias e regozijos, que eram esperadas do culto e da vida segundo as tradições da religião babilônica; que elas sejam significadas por estas palavras é porque pelas coisas que foram enumeradas nos versículos 12 e 13 são significadas todas as coisas da doutrina e do culto dessa religiosidade, das quais esperam obter alegrias e regozijos aqueles que creem na vida após a morte; elas são, pois, os ‘frutos do desejo’ da alma deles; e pela significação de ‘se foram de ti’, ou seja, que foram dissipadas e também convertidas em pranto e choro, porque se acham no tormento do inferno. Essas alegrias e regozijos que eles esperam são somente externos, por conseguinte, corpóreos e mundanos, porquanto ignoram o que são as alegrias e regozijos internos, visto que não têm quaisquer veros da Palavra, assim, quaisquer veros vindos Senhor, mas vindos daquele que se chama Seu substituto, do qual não se podem produzir veros, mas falsos, porque têm o império por fim. Por esse motivo, para que o povo seja mantido sob o jugo de seu império, deriva coisas tais que agradam o corpo por si e pelo mundo.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
(vii.) A sétima lei da Divina providência é: Que o homem não seja introduzido pelo Senhor nos veros da fé e nos bens do amor senão à medida que pode ser mantido neles até o fim da vida, pois é melhor que o homem seja constantemente mau do que ser bom e, em seguida, mau, pois assim é profano. A permissão do mal vem também daí. A cada homem que tem uma razão são o Senhor pode dar a afeição do vero e, daí, a fé, e a afeição do bem e, daí, o amor, e isto por contê-lo dos amores maus, que são de seu proprium, pois quando mais o homem é contido deles, mais está no entendimento do vero e na vontade do bem. Vi os próprios diabos serem reconduzidos a tal estado e, quando estavam nele, falaram veros pelo entendimento e pela fé, e fizerem bens pela vontade e pelo amor. Foram levados a esse estado porque negaram que poderiam entender os veros e fazer os bens; mas, tão logo foi relaxada a sua contenção e retornaram às cobiças de seus amores, em lugar da fé do vero eles tinham os falsos da fé, e em lugar do bem, tinham o amor do mal. Isto foi testemunhado muitas vezes, e diante de muitos. De se tornou evidente para mim que qualquer um pode ser reformado, e que ser reformado não é outra coisa senão ser removido dos maus amores. De que maneira, porém, o homem é removido deles, foi dito acima. Que isto não se faça pelo Senhor é porque os que entram na afeição do vero e, daí, na fé, e na afeição do bem e, daí, no amor, e não permanecem constantemente nessas afeições até o fim da vida, mas retornam aos amores de que se tinham desviado, profanam as coisas santas.
[3] Há muitos gêneros de profanação, mas este gênero é o mais grave de todos. A sorte deles após a morte é terrível: não estão no inferno, mas sob o inferno, e ali não pensam nem querem, mas veem e agem. Veem coisas que não são e não veem as que são; e agem como se fizessem todas as coisas e, todavia, nada fazem. São completamente delírios de fantasia. E visto que não pensam nem querem, não são mais homens, pois o humano é pensar e querer; por isso, não chamados eles ou elas, mas num gênero neutro, isto ou aquilo. Quando visto em alguma luz do céu aparecem como esqueletos cobertos de uma pele negrejante. Tais se tornam os que se reformaram e não permanecem. Dir-se-á também a razão de uma tão horrenda sorte deles. Pela reforma eles têm comunicação com o céu; daí influem bens e veros pelos quais se abriram os interiores de suas mentes e os males foram removidos para os lados. Se permanecerem nesse estado até a morte, são feliz, mas, se não permanecerem, tornam-se infelizes, pois então refluem os males que tinham sido removidos e se misturam aos veros e bens, assim, o inferno com o céu neles, a ponto de não poderem ser separados, pois tudo o que é impresso na mente do homem pelo amor não é extirpado. Por isso, após morte, como os bens não podem ser separados dos males, nem os veros dos falsos, a mente toda é arruinada, donde eles não têm mais pensamento e vontade. O que resta é como uma casca desprovida de núcleo, ou como algo cutâneo junto ao osso, sem carne, pois isto é o que resta do homem. Saibam, pois, que não há perigo em vir do mal ao bem, mas o perigo é ir do bem ao mal.
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