AE 1173

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

(Vers. 18) “E clamaram, vendo a fumaça de seu incêndio”. Que isto signifique a dor da mente por verem a punição por causa dos medonhos falsos que brotaram dos amores deles vê-se pela significação de ‘clamar’, que é a dor da mente (de que se tratou acima, n. 393, 424 e 459); e pela significação de ‘fumaça’, que é o falso infernal que emana dos males dos amores terrestres e corpóreos (de que se tratou nos n. 539, 889 e 1131); e pela significação de ‘incêndio’, que é a danação e punição dos males que brotam dos amores deles (de que se tratou nos n. 1083 e 1126). Por aí é evidente que ‘clamaram, vendo a fumaça de seu incêndio’ significa a dor da mente por verem a punição por causa dos falsos medonhos que brotaram dos amores deles.
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[2] Continuação
(ix.) A nona lei da Divina providência: Que Deus não ensine os veros ao homem imediatamente, nem por Si nem pelos anjos, mas o ensina pela Palavra, pelas pregações, pelas leituras e pelas conversas e comunicações com os outros e, assim, por pensamentos em si mesmo por esses meios. E que, então, o homem seja iluminado segundo as afeições do vero pelo vero, caso contrário o homem não agiria como por si mesmo. Estas coisas seguem como consequência das leis da Divina providência explicadas anteriormente, ou seja, que o homem esteja no livre e pela razão faça o que faz; que ele pense pelo entendimento como por si mesmo e, daí, pela vontade faça como por si mesmo; e, também, que não seja compelido a crer ou fazer coisa alguma por meio de milagres ou visões. Essas leis são imutáveis, porque são da Divina Sabedoria e, ao mesmo tempo, do Divino Amor e, todavia, seriam perturbadas se o homem fosse ensinado imediatamente, seja por influxo, seja pela linguagem.
[3] Além disso, o Senhor influi nos interiores da mente do homem e, por eles, nos seus exteriores, como também na afeição de sua vontade e, por ela, no pensamento de seu entendimento, mas não o contrário. Influir nos interiores da mente do homem e, por eles, nos seus exteriores, é lançar raiz e pela raiz produzir. A raiz está nos interiores e a produção, nos exteriores. E influir na afeição da vontade e, por ela, no pensamento do entendimento, é inspirar primeiro a alma e, por ela, formar as demais coisas, pois a afeição da vontade é como a alma, pela qual os pensamentos do entendimento são formados. Isto também é o influxo do interno no externo, que é possível. O homem nada sabe a respeito do que influi nos interiores de sua mente, nem do que influi na afeição de sua vontade, mas saberia do que influísse nos exteriores de sua mente e do que influísse no pensamento de seu entendimento, e isto seria produzir algo sem a raiz e formar algo sem a alma. Qualquer um pode ver que isto seria contra a ordem Divina, consequentemente, que seria destruir e não edificar. Por aí é evidente a verdade dessa lei da Divina providência.

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