AE 1174

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Dizendo: Quem é semelhante a esta grande cidade?”. Que isto signifique o espanto por essa doutrina e essa religiosidade serem destruídas vê-se pela significação de ‘grande cidade’, que é a Babilônia, que é a doutrina e a sua religiosidade, pois a ‘cidade’ significa a doutrina, e ‘Babilônia’ a sua religiosidade (como acima, n. 1134); o espanto por elas serem destruídas é significado pelo ‘clamor’, ao dizerem ‘quem lhe é semelhante?’ e isto se seguir da visão da fumaça do incêndio.
* * * * * * *
[2] Continuação
De que maneira, porém, o Senhor influi e, assim, o homem é conduzido não se pode saber de outra parte senão do mundo espiritual. É ali que o homem está quanto ao seu espírito, assim, quanto às suas afeições e, daí, os seus pensamentos, pois estes e aqueles pertencem ao espírito do homem. É o espírito, e não o corpo, que pensa por sua afeição. As afeições do homem, das quais vêm os seus pensamentos, têm extensão nas sociedades ao redor ali, em muitas ou poucas segundo a quantidade e a qualidade da afeição. Dentro delas está o homem quanto ao seu espírito. Ele está ligado a elas como se por longas cordas que determinam o espaço de sua perambulação. Então, conforme vai de uma afeição a outra, também vai de uma sociedade a outra, e na sociedade em que está, e onde está nela, está o centro do qual a afeição e seu pensamento se estende para as demais sociedades como para as periferias, as quais estão em contínua conexão com a afeição do centro, pela qual ele então pensa e fala. É no mundo que o homem adquire para si essa esfera, que é a esfera de suas afeições e, daí, seus pensamentos; se é mau, está no inferno; se é bom, está no céu. O homem ignora que isto é assim, porque ignora que tais coisas existam. Por essas sociedades o homem, isto é, a sua mente, anda livremente, ainda que vinculado, e o Senhor o conduz, e não dá um passo no qual e para o qual não seja conduzido. E o Senhor continuamente dá que o homem não saiba outra coisa senão que por si mesmo caminha em plena liberdade, e permite que o homem esteja persuadido disso, porque é da lei da Divina providência que o homem seja levado ao que a sua afeição quer. Se for uma afeição má, é levado de um lado a outro pelas sociedades infernais; e, se não visar o Senhor, é introduzidos nelas cada vez mais interior e profundamente. E, no entanto, o Senhor o conduz como pela mão, permitido e tirando-o à media que o homem quiser seguir livremente. Se, porém, visar o Senhor, ele é conduzido para fora daquelas sociedades sucessivamente, segundo a ordem e a conexão em que elas estão, ordem e conexão essas que ninguém conhece senão o Senhor somente. E assim o homem é levado por graus contínuos para cima, em direção ao céu e no céu.
[3] Isto o Senhor faz sem que o homem saiba, porque, se o homem soubesse, perturbaria o progresso contínuo ao conduzir a si mesmo. É suficiente que ele aprenda os veros da Palavra e, pelos veros, o que são os bens; e, pelos veros e bens, o que são os males e falso, a fim de poder ser afetado pelos veros e bens, e não ser afetado pelos falsos e males. De fato, ele pode conhecer os males e falsos antes de conhecer bens e veros, mas não pode vê-los nem percebê-los. Assim, e não de outro modo, o homem pode ser conduzido de afeição em afeição no livre e como por si mesmo, o Senhor o conduzindo pela afeição do vero e do bem se ele reconhecer a Divina providência do Senhor em cada coisa, e permitindo, pela afeição do mal e do falso, se não a reconhecer. E, também, para que o homem possa receber a inteligência correspondente à afeição, a qual ele recebe à medida que luta como por si mesmo pelos veros contra os males. Isto deve ser revelado porque não se sabe que a Divina providência é contínua e está nas coisas mais singulares da vida do homem, e porque não se sabe de que maneira ela está.

[VERSAO IMPRESSA]

Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.