. “E a voz da mó não mais será ouvida em ti.” Que isto signifique não haver entendimento algum do vero proveniente da vontade do bem vê-se pela significação de ‘mó’, que a produção do vero pelo bem (de que se tratou no n. 1182), assim também o entendimento do vero oriundo da vontade do bem, porque o entendimento é o recipiente do vero, e a vontade é o recipiente do bem.
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Continuação
Ora, como o fim, que é o amor da vontade do homem, por meio do entendimento provê para si ou adquire os meios pelos quais o fim último exista, para o qual o fim primeiro progrido por meios, e é o fim existente, e isto é o uso, segue-se que o fim ama os meios quando estes lhe prestam usos, e não os ama quando não lhe prestam, e os rejeita e, por meio do entendimento, provê ou adquire outros. Por aí é evidente qual é o homem cujo fim principal é o amor da eminência, ou o amor da glória e das honras, ou cujo fim principal é o amor da opulência, ou amor do dinheiro e das posses, a saber, ele considera todos os meios como criados que lhe servem para o fim último, que o amor existente, e este é o uso para ele.
[2] Seja um exemplo: um sacerdote ,cujo fim principal é o amor do dinheiro ou das posses; seus meios são o ministério, a Palavra, a doutrina, a erudição, a pregação por estes e, por estas coisas, a instrução dos homens da igreja e a reforma e a salvação deles. Esses meios são estimados por ele pelo fim e por causa do fim, mas não são amados, embora em alguns pareçam que são amados. Porque é a opulência que é amada, porque está é o fim primeiro e último, e esse fim é tudo nos meios, como foi dito. Eles dizem, de fato, que querem que o homem de sua igreja seja instruído, reformado e salvo, mas, como dizem isso por causa do fim da opulência, essas coisas não pertencem ao seu amor, mas são meios de fama e de ganho por causa dela.
[3] Dá-se o mesmo em relação ao sacerdote cujo fim principal é o amor da eminência acima de todos os outros; é o que se vê se for tirado dos meios o ganho ou a honra. É inteiramente diferente se a instrução, a reforma e a salvação das almas for o fim principal, e a opulência e a eminência foram os meios; então esse homem sacerdote é completamente diferente, pois é espiritual, enquanto o outro é natural. No sacerdote espiritual a opulência e a eminência são bênçãos, enquanto no natural a opulência e a eminência são maldições. Que seja assim, é o pode ser comprovado por muitas experiências do mundo espiritual. Ali se veem muitos que disseram ter ensinado, escrito e reformado, mas, quando foi manifesto o fim ou o amor da vontade deles, mostrou-se que fizeram todas as coisas por causa de si e do mundo, e não por causa de Deus e do próximo; de fato, amaldiçoaram a Deus e prejudicaram o próximo. São esses que se entendem em Mateus 7:22, 23 e em Lucas 13:26, 27.
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