AE 1196

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 1) “Depois destas coisas, ouvi como uma voz de grande multidão no céu”. Que isto signifique o regozijo e a alegria dos anjos dos céus superiores, por causa da condenação e expulsão daqueles que são significados pela ‘Babilônia’ e pelas ‘bestas do dragão’ e, daí, por causa da luz oriunda do Divino Vero para a Nova Igreja que deve ser instaurada pelo Senhor. Como este é o conteúdo deste capítulo e dos que se seguem, vê-se que pela ‘voz de grande multidão no céu’ significa isto. A respeito da condenação e expulsão daqueles que se entendem por ‘Babilônia’ se trata nos versículos 2, 3; da condenação e expulsão das bestas do dragão, nos versículos 19 a 21; do regozijo por causa da Nova Igreja a ser instaurada pelo Senhor, versículos 7 a 9, 17, 18; e da luz oriunda daí, vers. 11 a 16.
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[2] Continuação
Dir-se-á agora alguma coisa a respeito da vida dos animais e, em seguida, da alma dos vegetais. O mundo todo, com todas e cada uma das coisas que há nele, existiram e subsistem pelo Senhor, Criador do universo. Há dois sóis, o Sol do mundo espiritual e o sol do mundo natural. O Sol do mundo espiritual é o Divino Amor do Senhor, e o sol do mundo natural é puro fogo. Do Sol que é o Divino Amor começou toda a obra da criação, e pelo sol que é fogo ela foi realizada.
[3] Tudo o que procede do Sol que é o Divino Amor se chama espiritual, e tudo o que procede do sol que é puro fogo se chama natural. O espiritual, por sua origem, tem a vida em si, mas o natural, por sua origem, nada tem da vida em si. E como todas as coisas que há em ambos os mundo existiram e subsistem dessas duas fontes universais, segue-se que o espiritual e o natural estão em toda coisa criada neste mundo, o espiritual como a alma e o natural como o corpo; ou, o espiritual como o interno e o natural como o externo; ou ainda, o espiritual como a causa e o natural como o efeito. Que esses dois não possam ser separados em cada coisa é notório a qualquer sábio, porque, se separares a causa do efeito, o efeito se dissipa; se o interno do externo, o externo se dissipa, do mesmo modo que se a alma for separada do corpo.
[4] Que essa conjunção esteja em cada coisa, mesmo nas mais singulares da natureza, ainda não se sabe. Que ainda não se saiba é por causa da ignorância a respeito do mundo espiritual, do Sol ali e da luz e do calor ali; e, também, por causa da insanidade dos homens sensuais, que atribuem todas as coisas à natureza e raramente atribuem alguma coisa a Deus além da criação no geral, quando, todavia, nada absolutamente existe, nem pode absolutamente existir na natureza em quem não haja o espiritual. Que este esteja ínsito em todas e cada uma das coisas que há nos três reinos da natureza, e de que maneira está, dir-se-á na sequência.

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