AE 1198

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Salvação e glória e honra e poder ao Senhor nosso Deus.” Que isto signifique porque do Senhor vem a vida eterna pelo Divino Vero e Divino Bem procedentes de Sua Divina onipotência vê-se pela significação de ‘salvação’, que é a vida eterna; pela significação de ‘glória e honra’, que é o Divino Vero e Divino Bem do Senhor (de que se tratou nos n. 288 e 345); pela significação de ‘poder’, quando se trata do Senhor, que é a onipotência; e como o Senhor na Palavra é chamado ‘Jehovah’ e ‘Senhor’ por causa do Divino Bem, e ‘Deus’ por causa do Divino Vero, e são estes que são significados por ‘glória’ e ‘honra’, por isso se diz ‘ao Senhor nosso Deus’. No sentido da letra se dizem ‘salvação’, ‘glória’, ‘honra’ e ‘poder’ separadamente, mas, no sentido espiritual, essas expressões são conjuntas num único sentido, ou seja, que o Senhor vem a vida eterna pelo Divino Vero e Divino Bem procedentes da Divina onipotência. Assim é o caso em muitas outras passagens na Palavra. Às vezes são citados meros nomes de regiões e de cidades que, na letra, aparecem separadamente, mas, no sentido espiritual, esses nomes formam um único sentido contínuo.
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[2] Continuação
Os sinais particulares que semelhantemente o comprovam são ainda mais numerosos e mais flagrantes. Em algumas espécies de animais esses sinais são tais que o homem sensual, que não pensa senão na matéria, equipara as coisas que estão na besta às que estão nos homens, e, por uma inteligência tola, conclui que bestas e homens têm um mesmo estado de vida, mesmo após a morte, dizendo que, se ele vive, elas vivem; ou, se elas morrem, ele também morrerá. Os sinais que comprovam e, todavia, enganam o homem sensual, são que em alguns animais parece haver as mesmas prudência e astúcia, o mesmo amor conubial, a mesma amizade e, por assim dizer, caridade, as mesmas probidade e benevolência, em suma, a mesma moralidade que há nos homens. Por exemplo, os cães, por um gênio inato que possuem, como por natureza sabem agir como guardas fiéis; pela transpiração da afeição do seu dono conhecem como se fosse a vontade do dono; procuram-no pelo cheiro percebido dos rastros e das roupas; conhecem as regiões e percorrem as que vão à casa, mesmo por lugares afastados das estradas em florestas fechadas, e outras coisas semelhantes. Por elas o homem sensual julga que o cão também é ciente, inteligente e sábio, o que não é de se admirar, quando ele atribui à natureza tais coisas no cão e também em si. É diferente com o homem espiritual; esse vê que há aí algo espiritual que conduz, e que este é unido ao natural.
[3] Também são sinais particulares o fato de que as aves sabem fazer ninhos, pôr ali ovos, chocá-los, fazer eclodir os filhotes e, depois, pelo amor que é o storge11, propiciar-lhes calor sob as asas e comida pela boca até estarem revestidos e dotados de asas. Quando também estão por sua conta, estão em todo o conhecimento dos pais, pelo espiritual, que é a alma deles, pela qual proveem para si mesmos. Também são sinais particulares todas as coisas que se acham nos ovos. No ovo se encerra oculto o estame de uma nova ave, e ao redor do mesmo todo elemento que serve para formar o feto, desde os princípios, na cabeça, até o pleno contexto de tudo do corpo. Acaso isto pode ser provido pela natureza? Pois isto não somente é produzido, mas é também criado, e a natureza não cria. Que tem a natureza em comum com a vida, a não ser que a vida é revestida pela natureza, e saia e apareça na forma como um animal. Entre os sinais particulares que comprovam a mesma coisa estão também os vermículos dos vegetais, que, quando passam pela metamorfose, envolvem-se como que num útero e renascem, pelo que se mudam em ninfas e crisálidas e, após certo processo e tempo, em belos voláteis, e esvoaçam no ar como em seu céu, onde brincam companheiro com companheiro, como cônjuge com cônjuge, e se nutrem se flores odoríferas e põem ovos, assim provendo que suas espécies vivam após eles mesmos. O homem espiritual vê que isto é uma imagem do renascimento do homem, um representativo de sua ressurreição e, assim, espiritual.
[4] Sinais ainda mais flagrantes se veem nas abelhas, com as quais existe uma forma de governo semelhante ao governo com os homens. Elas constroem para si casinhas de cera em série segundo as regras da arte, com aberturas convenientes de passagem, e os enchem do mel das flores; põem sobre si uma senhora, da qual virá a prole como de uma mãe comum; ela habita sobre o seu povo, no meio dos guardas das abelhas, os quais a seguem quando ela deve partir e, após eles, a multidão misturada; assim ela passa de uma cela a outra, e em cada uma põe o óvulo, e assim continuamente, até que a matriz esteja vazia, e então retorna à sua casa, e isto faz de novo e novo. Os seus guardas, que se chamam zangões, porque não prestam outro uso senão o de tantos unidos servirem a uma só senhora, e talvez lhe inspirem algum estímulo sexual; e como nada operam, são considerados inúteis e, a fim de não invadirem e consumirem as riquezas e trabalhos dos outros, são tirados para fora e privados de suas asas. Assim expurgam de sua convivência os indolentes. Em seguida, quando a nova prole cresce, com um som comum, que é ouvido como um sussurro, ela recebe a ordem de sair e buscar casa e alimento para si mesma. Estas e muitas outras coisas, que os investigadores viram e divulgaram em livros, não são diferentes dos governos que foram instituídos e organizados em reinos e repúblicas pela inteligência e sabedoria humana, segundo as leis da justiça e do juízo. Também, assim como os homens, elas como que sabem que vem o inverno, para o qual, para que não morram de fome, ajuntam comida. Quem pode negar que tais noções sejam espirituais por origem? Pois elas podem existir por outra origem? Todas essas coisas são para mim provas e demonstrações do influxo espiritual nas coisas naturais, e parece-me espantoso que tais coisas possam ser provas e demonstrações somente da operação da natureza, como são para alguns que se tornaram tolos pela própria inteligência.

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