AE 1215

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E como uma voz de muitas águas”. Que isto signifique a glorificação d’Ele pelos veros vê-se pela significação de ‘voz’, que é a glorificação do Senhor (como acima); e pela significação de ‘águas’, que são os veros (de que se tratou nos n. 71, 483, 518, 537, 538, 854, 971 e 1033). Daí, ‘muitas águas’ são todos os veros que há nos anjos nos céus. Nos céus há anjos que estão nos veros e anjos que estão nos bens; os anjos que estão nos veros são chamados anjos espirituais, e os que estão nos bens, anjos celestes. Daí é que o céu foi distinto em dois reinos, o espiritual e o celeste; no reino espiritual estão todos os que estão nos veros, e no reino celestes estão todos os que estão nos bens.
[2] De fato, todos estão nos veros do bem, mas o bem é dúplice: há o bem espiritual e há o bem celeste; o bem da caridade é o bem do amor para com o próximo, e o bem celeste é o bem do amor ao Senhor. Esses dois bens são distintos. O bem espiritual é bem num grau inferior, e o bem celeste é bem num grau superior; por isso o bem celeste está nos anjos dos céus superiores, e o bem espiritual nos anjos dos céus inferiores. Por aí é evidente que as ‘muitas águas’, cuja voz foi ouvida, significam todos os anjos espirituais nos céus, enquanto a ‘voz de fortes trovões’, que se segue, significa todos os anjos celestes nos céus.
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[3] Continuação
Pelo que foi citado até aqui a respeito da vida que vem do Senhor e a respeito da existência de tudo no universo a partir dela, todo sábio de coração pode ver que a natureza nada produz por si, mas somente serve ao espiritual para produzir, espiritual que procede do Sol do céu, que é o Senhor, assim como a causa instrumental serve à causa principal, ou como a força morta à sua força viva. Pelo que é evidente o quanto erram os atribuem à natureza as gerações dos animais e as produções dos vegetais. Eles são como aqueles que atribuem obras esplêndidas ao instrumento e não ao artífice, ou como os que adoram imagem de escultura e não a Deus.
[4] Daí surgem as falácias, que são inumeráveis, em todo raciocínio sobre as coisas espirituais, morais e civis, pois a falácia é uma inversão da ordem e é um julgamento do olho e não da mente, e é uma conclusão pela aparência da coisa e não pela essência da coisa. Por esse motivo, raciocinar pelas falácias a respeito do mundo e da existência das coisas nele é como confirmar por raciocínios que a escuridão é luz, que o morto é vido e que o corpo influi na alma, e não o contrário, quando, todavia, é uma verdade eterna que há influxo espiritual e não influxo físico, isto é, da alma, que é espiritual, no corpo, que é material, e do mundo espiritual no mundo natural; também, que o Divino, por Si e pelo procede de Si, assim como criou todas as coisas, também sustenta todas as coisas, e que a sustentação é a perpétua criação, assim como a subsistência é a perpétua existência.

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