. “E como uma voz de fortes trovões”. Que isto signifique a glorificação d’Ele pelos bens do amor vê-se pela significação de ‘voz’, que é a glorificação do Senhor (como acima); e pela significação de ‘trovões’, que são os bens do amor ressoando (de que se tratou nos n. 821 e 855). Daí, ‘fortes trovões’ são todos os bens, quando ressoam nos anjos. Na linguagem dos homens há duas coisas juntas: o som e a sua articulação nas palavras; o som pertence à sua vontade, e a articulação do som pertence ao pensamento de seu entendimento. Estes dois estão conjuntos na linguagem humana e também são reconhecidos pela audição, pois pelo som se conhece a afeição, e pelas palavras, que são as articulações do som, se conhece o pensamento. Como isto é natural, o homem pouco reflete a respeito, mas o sabe quando ouve. Isto é ouvido mais distintamente nos anjos e espíritos do que nos homens. A razão disso é que aqueles são espirituais, e os espirituais pensam pela afeição e, daí, também falam por ela; os que estão no reino celeste, pela afeição do bem, e os que estão no reino espiritual, pela afeição do vero. Daí é que são conhecidos pelo som. O som da linguagem dos anjos nos céus superiores é ouvida variavelmente abaixo, pois aumenta ao progredir, como também no mundo, com o som que desce do alto. O som dos anjos espirituais é ouvido como o som de águas estrepitosas, enquanto o som dos anjos celestes é ouvido como o som de trovões. (O que, além disso, os ‘trovões’ significam vê-se acima (n. 273, 353, 498, 702, 704 e 1014).
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[2] Continuação
Tratou-se da infinidade, da eternidade e, também, da providência e da onipotência, que pertencem ao Senhor. Tratar-se-á agora da onipresença e da onisciência, são d’Ele. Em toda religião se reconhece que Deus é onipresente e onisciente; daí é que pessoas oram a Deus para que Ele ouça, veja e tenha misericórdia, o que não elas não fariam se não cressem em Sua onipotência e onisciência. Que creiam nelas é pelo influxo do céu naqueles que têm religião, pois pela própria religião não se entra em questão se elas existem e como existem. Como, porém, no mundo cristão de hoje multiplicaram-se os homens naturais e esses não veem coisa alguma de Deus, e não creem se não virem (se dizem que creem é ou por obrigação, ou por um conhecimento cego, ou pela hipocrisia), por isso é lícito tratar de tais coisas que pertencem a Deus, pela luz e, daí, pela visão racional.
[3] Cada homem, até o meramente natural e sensual, é dotado de entendimento que pode ser elevado à luz do céu e ver as coisas espirituais, mesmo as Divinas, e também compreendê-las, mas somente quando as ouve ou lê. E depois ele pode falar delas pela memória, mas não pensar nelas em si, por si. A razão disso é que, quando ele ouve ou lê, o entendimento é separado de sua própria afeição, e, quando é separado dela, então está na luz do céu. Quando, porém, pensa em si por si, então o entendimento é conjunto à afeição de sua vontade, e esta o enche e o detém de sair. Não obstante, a coisa em si é tal que o entendimento pode ser separado da afeição da vontade e ser assim elevado à luz do céu nos homens naturais que estão na afeição do vero e não se confirmaram nos falsos, mas dificilmente naqueles que não estão na afeição do vero, pelo fato de estes rejeitarem os Divinos ou se confirmarem nos falsos. Nestes há como que um anteparo [umbraculum] entre a luz espiritual e a luz natural, embora em muitos esse anteparo seja transparente.
[4] Ora, visto que o homem, qualquer que seja, até o sensual corpóreo, quando adulto, goza de tal faculdade de entender que pode compreender as coisas que são de Deus quando as ouve ou quando as lê, e, em seguida, pode retê-las na memória e daí falar, ensinar e escrevê-las, importa que esta obra sobre os atributos Divinos continue como começou. Aqui, pois, a respeito da Divina onipresença e da Divina onisciência, para que o homem meramente natural não as ponha em dúvida até a negação, por não querer entender espiritualmente Divino algum, o que ele chama não poder. (???)
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