. “Porque chegaram as núpcias do Cordeiro”. Que isto signifique a conjunção do Senhor com a igreja vê-se pela significação de ‘núpcias’, que é a conjunção (de que se tratará a seguir); e pela significa de ‘Cordeiro’, que é o Senhor quanto ao Divino Humano (de que se tratou no n. 314). Dizem-se ‘núpcias do Cordeiro’ porque a conjunção do Senhor com a igreja é a conjunção do Seu Divino Humano com ela, pois não é possível alguma conjunção imediata com o Seu Divino que é chamado Pai, pois este não pode ser recebido, porque está acima de toda ideia do pensamento dos homens e também dos anjos. Não é assim com o Divino Humano, pois neste se pode pensar. Daí é que se dizem núpcias ‘do Cordeiro’ e não núpcias do Senhor Deus.
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[2] Continuação
Uma vez que há no céu coisas semelhantes às que há em nosso mundo, por isso nos céus também existem espaços e tempos, mas os espaços ali são aparências, assim como as terras mesmas e o que há sobre elas, pois aparecem segundo o estado dos anjos, e as extensões dos espaços e as distâncias segundo as semelhanças e dessemelhanças de estados. Por estados entendem-se os estados de amor e de sabedoria, ou de afeições e pensamentos daí, que são multíplices e variados. Segundo eles se distanciam as sociedades angélicas nos céus e, também, os céus se distanciam dos infernos, como também as sociedades destes entre si. Foi concedido ver de que maneira a semelhança de estado conjunge e encurta a extensão do espaço ou distância, e de que maneira a dessemelhança separa e produz a extensão do espaço ou distância. Os que ali estão a uma distância de uma milha aos olhos podem estar presente num instante, quando anima o amor de um pelo outro, e, ao contrário, os que estão se falando podem num instante se separar por uma milha, quando anima o ódio.
[3] Que os espaços no mundo espiritual sejam somente aparências é o que se tornou evidente para mim também pelo fato de se fazerem presentes diante de mim muitos que vieram de terras longínquas, como dos vários reinos da Europa, da África e da Índia, como também habitantes de planetas e de terras remotas. Entretanto, os espaços nos céus aparecem do mesmo modo que os espaços de nossa terra, semelhantemente extensos; mas, como os espaços ali são somente de origem espiritual e não ao mesmo natural, e, assim, aparecem segundo o estado dos anjos, por isso os anjos não poder ideia de espaços, mas, em lugar disso, ideia de seus estados, pois, quando os estados são mutáveis, surge uma ideia deles de origem espiritual (???), assim pela semelhança e dessemelhança de afeições e dos pensamentos daí.
[4] Dá-se o mesmo em relação aos tempos, pois assim como são os espaços, assim são os tempos, porque as progressões pelos espaços são também progressões por tempos. Que estes também sejam aparências dos estados é porque o Sol do céu, que é o Senhor, não faz ali os dias e anos por circulações e progressões, como o sol do mundo parece fazer; por isso há nos céus perpétua luz e perpétua primavera; assim, os tempos ali não são fixos, regulares e mensuráveis. Ora, como os tempos também variam segundo os estados de afeições e de pensamentos daí, pois são mais breves e curtos nos prazeres das afeições, e longos e compridos nos desprazeres das afeições, por isso os anjos não podem tampouco ter ideia de tempo a partir da aparência, mas ideia dos estados por sua origem. Por aí é evidente os anjos do céu não têm ideia alguma de espaço e tempo, mas uma ideia espiritual a respeito deles, que é a ideia do estado.
[5] Mas a ideia de estado e, daí, a ideia da aparência do espaço e do tempo, não existe senão nos últimos da criação ali, e por eles. Os últimos da criação ali são as terras em que os anjos habitam; ali aparecem espaços e tempos, e não nos espirituais mesmos, pelos quais os últimos foram criados; tampouco nas afeições mesmas dos anjos, a menos que o pensamento por eles vá até os últimos. É diferente, porém, no mundo natural, onde os espaços e os tempos são fixos, regulares e mensuráveis e, por isso, entram nos pensamentos dos homens e os limitam e distinguem dos espirituais dos anjos. Esta é a principal razão pelo qual o homem dificilmente pode compreender a onipresença e a onisciência Divinas, pois, se as quiser compreender, pode cair no erro de Deus é o íntimo da natureza e, assim, onisciente e onipresente.
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