. (Vers. 9) “E me disse: Escreve.” Que isto signifique que estas coisas serão por memorial para a posteridade vê-se pela significação de ‘escrever’, que é inscrever na vida e na fé do homem (de que se tratou no n. 222); e é a certeza (n. 898). Aqui, porém, que isto deve por memorial para a posteridade, pois se trata da igreja a ser instaurada pelo Senhor, a qual se entende pela Nova Jerusalém, pois esta é a que se entende pela ‘esposa do cordeiro’ e também é chamada ‘Sua esposa’ (Ap. 21:9, 10).
* * * * * * *
[2] Continuação
(5.) O Senhor também está presente naqueles que estão fora do céu e fora da igreja, a saber, os que estão no inferno ou irão para o inferno, e conhece todos os estados deles, pela faculdade intelectual que cada homem tem e pelo oposto. Todo homem tem três graus de vida: o mais baixo, em comum com as bestas, e os dois superiores, que não estão em comum com elas. O homem é homem por esses dois graus superiores. Esses estão fechados nos maus, mas abertos nos bons. Mas esses graus nos maus não estão fechados para a luz do céu, que é a sabedoria, que procede do Senhor como Sol, mas estão fechados para o calor, que é o amor, que procede juntamente dali. Por isso é que todo homem, até o mau, tem a faculdade de entender, mas não a faculdade de querer pelo amor celeste. Com efeito, a vontade é o receptáculo do calor, isto é, do amor, e o entendimento é o receptáculo da luz ou da sabedoria daquele Sol.
[3] Que nem todo homem seja inteligente e sábio é porque aquele que não é fechou em si mesmo, pela vida, o receptáculo desse amor, que, sendo fechado, o homem não quer entender senão aquilo que ele ama, pois quer e ama pensar e, também, entender. Ora, como cada homem, até o mau, tem a faculdade entender, e essa faculdade vem do influxo da luz do Sol que é o Senhor, é evidente que o Senhor também está presente naqueles que estão fora do céu e da igreja, isto é, os que ou estão no inferno ou irão para o inferno. É também por essa faculdade que o homem pode raciocinar sobre várias coisas, o que as bestas não podem; e é também por causa dela que o homem vive na eternidade.
[4] Outra razão da onipresença do Senhor no inferno é que, diante do Senhor, todo o inferno – assim como todo o céu – é como um só homem, mas um homem diabo ou um homem monstro; e neste todas as coisas estão em oposição àquelas que estão no Divino Homem Anjo. Por isso, por este homem se conhece tudo o que há nele, isto, pelo céu se conhece tudo o que há no inferno, pois pelo bem se conhece o mal, e pelo vero, o falso, assim toda a qualidade destes pela qualidade daqueles. Há três céus e há três infernos; e assim como os céus foram distintos em sociedades, assim também os infernos; e cada sociedade do inferno corresponde por oposição a uma sociedade do céu. A correspondência é como que entre duas afeições boas e duas afeições más, porque todas as sociedades são afeições. Assim, do mesmo modo que cada sociedade do céu é, aos olhos do Senhor, como um homem anjo na semelhança de sua afeição, como foi dito, assim também cada sociedade do inferno é, aos olhos do Senhor, como um homem diabo na semelhança de sua afeição má. Isto, também, foi-me concedido ver. Eles aparecem, de fato, como homens, mas monstruosos. Vi três gêneros deles: inflamados, negros e pálidos, mas todos com a mesma face disforme, um som seco, uma fala externa e semelhantes gestos. Todos eles têm um amor lascivo, e nenhum deles um amor casto; os prazeres de sua vontade são maus, e os prazeres de seus pensamentos são falsos.
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.