Texto
. (VERSÍCULO 14) E SUA CABEÇA E SEUS CABELOS ERAM BRANCOS COMO A LÁ ALVA, COMO A NEVE significa o Divino Amor da Divina Sabedoria nos primeiros e nos últimos. A cabeça do homem significa o todo de sua vida e o todo da vida do homem se refere ao amor e à sabedoria; por isso, pela "cabeça" é significada a sabedoria e ao mesmo tempo o amor., Mas, como não há amor sem a sabedoria nem sabedoria sem o seu amor, é o amor da sabedoria que se entende por "cabeça" e, quando se trata do Senhor, se entende o Divino Amor da Divina Sabedoria. A respeito da significação da "cabeça" segundo a Palavra, veja-se abaixo (nºs 538 e 568). Ora, se pela "cabeça" se entende o amor e ao mesmo tempo a sabedoria em seus primeiros, segue-se que pelos "cabelos" se entendem. o amor e a sabedoria em seus últimos; e como os cabelos' aqui se dizem do Filho do Homem, que é o Senhor quanto à Palavra, por Seus cabelos é significado o Divino Bem que pertence ao amor e a Divina Verdade que pertence à sabedoria nos últimos da Palavra, e os últimos da Palavra são aqueles que estão contidos no sentido da letra. Que a Palavra neste sentido seja significada pelos "cabelos do Filho do Homem" ou do Senhor parece um paradoxo, mas é verdadeiro. Isso pode ser visto pelas passagens da Palavra mencionadas no opúsculo DOUTRINA DA NOVA JERUSALÉM SOBRE A ESCRITURA SANTA (n 35 e 49), onde é mostrado que os nazireus da Igreja Israelita representavam o Senhor quanto à Palavra nos últimos, que é seu sentido literal, pois "nazíreu" na língua hebraica significa cabelo e cabeleira; daí Sansão, que era nazíreu desde o útero, ter poder em seus cabelos. Que, semelhantemente, a Divina Verdade, no sentido da letra da Palavra, tenha poder, pode ser visto no citado opúsculo DOUTRINA DA NOVA JERUSALÉM SOBRE A ESCRITURA SANTA (nº 37 a 49). É também por isso que foi severamente proibido ao sumo sacerdote e a seus filhos rasparam a cabeça; e, por chamarem Eliseu de "calvo", quarenta e dois meninos foram despedaçados por dois ursos. Eliseu, do mesmo modo que Elias, representava o Senhor quanto à Palavra. Calvo significa a Palavra sem o seu último, que, como foi dito, é o sentido da letra, e os ursos significam esse sentido da Palavra separado de seu sentido interno; os que o separam aparecem, assim, no mundo espiritual como ursos, mas à distância. Daí é fácil compreender porque foi feito assim com os meninos. É também por isso que era uma grande desonra e um grande luto ser calvo. Portanto, quando a nação israelita perverteu todo o sentido da letra da Palavra, essa Iamentação foi feita sobre eles: "Os nazireus eram mais alvos do que a neve, mais brancos do que o leite; a forma deles se tornou escura, pela negridão; não são conhecidos nas ruas" (Lamentações 4; 7 e 8); "Toda a cabeça se tornou calva e todo o ombro ficou pelado" (Ezequiel 29; 18); "Sobre todas as faces a vergonha e em todas as cabeças a calvície" (Ezequiel 7; 18).
Igualmente em [saías 15; 2; Jeremias 48; 37; Amós 8; 10. Como os filhos de Israel tinham dispersado todo o sentido da letra da Palavra por meio das falsidades, foi dada ordem ao profeta Ezequiel para que ele representasse isso: "Que ele com uma navalha raspasse a cabeça e queimasse a terça parte do cabelo no fogo: ferisse a outra terça parte com uma espada; dispersasse a outra terça parte no vento; e tomasse algum na roupa e depois também o lançasse no fogo" (Ezequiel 5; 1 a 4 e seguintes).
É ainda por isso que se diz em Miquéias: "Faze-te calva e tosquia-te por causa dos filhos das tuas delícias; alarga a tua calvície como a água, porque emigraram de ti" (1; 16).
Os "filhos das delícias" são as verdades reais da Igreja segundo a Palavra. E como Nabucodonosor, rei de Babel, representava a falsificação babélica da Palavra e a destruição de toda a verdade nela contida, resultou disso que: "Seus cabelos cresceram como (as penas) das águias" (Daniel, 4;33).
Como os "cabelos" significam esse santo sentido da Palavra, por isso se diz dos nazireus que: "Não raspariam os cabelos de sua cabeça, porque ela 6 o nazirato de Deus sobre a cabeça deles" (Números 6; 1 a 21).
Por isso também foi estabelecido que: "O sumo sacerdote e seus filhos não raspariam a cabeça para que não morressem e o Senhor não Se irritasse contra toda a casa de Israel" (Levítico 10; 6).
Ora, como por "cabelos" é significada a Divina Verdade nos últimos, a qual é, na Igreja, a Palavra do sentido da letra, é por isso também que em Daniel é dita a mesma coisa sobre o "Antigo dos dias":
"Vi até que foram derribados tronos e o Antigo dos dias se sentou; a vestimenta d'Ele como neve branca e o cabelo dá cabeça d'Ele como lã limpa" (7;9).
Que o "Antigo dos dias" seja o Senhor vê-se claramente em Miquéias: "Tu Beth-lehem Efrata, pequena entre milhares de Judá, de ti Me sairá Quem será Dominador em lsarel e cuja saída é da antiguidade, dos dias da eternidade" (5; 2); e em Isaías, onde Ele é chamado "Pai da eternidade" (9; 6).
Por estas passagens e muitas outras que não são mencionadas em vista de seu grande número, pode-se ver que por "cabeça" e por "cabelos" ao Filho do Homem, que eram "brancos como a lã, como a neve", se entende o Divino do Amor e da Sabedoria nos primeiros e nos últimos; e, como pelo Filho do Homem é entendido o Senhor quanto à Palavra, segue-se que também é entendida a Palavra nos primeiros e nos últimos. De outro modo, por que razão "o Senhor" aqui no Apocalipse e "antigo dos dias" em Daniel teriam sido descritos até mesmo quanto aos cabelos? Que por "cabelos" é significado o sentido da letra da Palavra vê-se claramente por aqueles que estão no mundo espiritual. Os que desprezaram o sentido da letra da Palavra aparecem lá calvos; o contrário ocorre com os que amaram o sentido da letra da Palavra, os quais aparecem lá com uma cabeleira decente. Diz-se "como a lã" e "como a neve" porque a "lã" significa o bem nos últimos e a "neve" significa a verdade nos últimos, como também em Isaías (1; 18), pois a "lã" é derivada das ovelhas pelas quais é significado o bem da caridade, e a "neve" é derivada das águas pelas quais são significadas as verdades da fé.