Texto
. ONDE TAMBÉM NOSSO SENHOR FOI CRUCIFICADO. Significa o não reconhecimento do Divino Humano do Senhor e, assim, o estado de rejeição. Na Igreja se diz que os que "crucificam o Senhor" são os que blasfemam contra Ele, e depois também os que, como os judeus, negam que Ele seja o Filho de Deus. Aqueles que negam que Seu Humano é Divino são semelhantes aos judeus, porque todo o indivíduo que olha o Senhor como um homem, e que olha o Humano do Senhor como igual ao humano de um outro homem, não pode então pensar em Seu Divino, ainda que se diga ser Filho de Deus, nascido de toda a eternidade, igual ao Divino do Pai. Quando isso é dito e lido, é, com efeito, entendido, mas não está ao mesmo tempo na fé, quando se pensa que o Senhor é homem material como um outro homem, retendo as mesmas propriedades da carne. Como o homem então repele o Seu Divino e não O considera, por isso está no estado como se O negasse, pois nega que Seu Humano seja Filho de Deus, como também fizeram os judeus, que por isso O crucificaram. Que, entretanto, o Humano do Senhor seja o Filho de Deus, isso é dito claramente em Lucas 1; 32 e 35, em Mateus 3. 16 e 17 e em outros lugares.
Por essas explicações se vê claramente por que os homens da Igreja se dirigem imediatamente a Deus Pai, e também muitos deles imediatamente ao Espírito Santo, e por que é raro alguém dirigir-se imediatamente ao Senhor. Como os judeus, negando que o Senhor fosse o Messias Filho de Deus, O crucificaram, por isso a sua Jerusalém também é chamada Sodoma (Isaías 3; 9 - Jeremias 23; 14 e Ezequiel 16; 46 e 48), e o Senhor disse: "No dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu e destruiu a todos; do mesmo modo será no dia em que o Filho do Homem for revelado" (Lucas 17; 29 e 30). O que significam o fogo e o enxofre vê-se nos n 452 e 494.