Texto
. (VERSÍCULO 23) E LUZ DE LÂMPADA NÃO MAIS LUZIRA EM TI. Significa que aqueles que estão nessa Religiosidade, pela sua doutrina e pela vida segundo essa doutrina, não têm qualquer ilustração vinda do Senhor nern, por conseguinte, qualquer percepção da verdade espiritual. Pela "luz da lâmpada" é significada a ilustração vinda do Senhor e, por conseguinte, a percepção da verdade espiritual, porque pela "luz" se entende a luz do céu, na qual estão os anjos e também os homens quanto ao entendimento, luz que em sua essência é a Divina Sabedoria, pois ela procede do Senhor como sol do mundo espiritual, sol que em sua substância é o Divino Amor da Divina Sabedoria, do qual nenhuma outra luz pode proceder senão a que pertence à Divina Sabedoria o nenhum outro calor pode proceder senão o que pertence ao Divino Amor. Que assim seja é o que foi demonstrado no livro SABEDORIA ANGÉLICA SOBRE 0 DIVINO AMOR E A DIVINA SABEDORIA (nº 83 a 172). Como essa luz vem do Senhor e como o Senhor por ela e nela é Onipresente, é por isso que por ela se faz toda a ilustração e, por conseguinte, toda a percepção da verdade espiritual, que está naqueles que espiritualmente amam as Divinas Verdades, isto é, que amam as verdades porque são verdades, assim porque são Divinas. Que isso seja amar o Senhor é evidente. Com efeito, o Senhor está onipresente nessa luz, porque o Divino Amor e a Divina Sabedoria não estão em um (só) lugar, mas onde são recebidos e segundo a recepção. Que aqueles que estão na Religiosidade Católico-romana não têm ilustração e, por conseguinte, não têm percepção da verdade espiritual, pode-se ver no fato de eles não amarem luz espiritual alguma. Com efeito, a origem da luz espiritual é o Senhor, como já foi dito, e não podem aceitar a luz do Senhor nem recebê-la senão aqueles que foram conjuntos ao Senhor; e a conjunção com o Senhor faz-se unicamente pelo reconhecimento e pelo culto do Senhor e, ao mesmo tempo, por uma vida de acordo com Seus preceitos segundo a Palavra. 0 reconhecimento e o culto do Senhor, bem como a leitura da Palavra, fazem a presença do Senhor; essas duas coisas juntamente com uma vida segundo os Seus preceitos fazem a conjunção com Ele. Em Babilônia ocorre o contrário. 0 Senhor é reconhecido mas não tem domínio e a Palavra é reconhecida mas não é lida. Em vez do Senhor, o Papa é adorado lá, e em lugar da Palavra lá são reconhecidas as bulas papais. Vivem não segundo os preceitos da Palavra, mas segundo as bulas papais. Essas bulas têm como objetivo a dominação do Papa e de seus ministros sobre o céu e o mundo, enquanto os preceitos da Palavra têm como objetivo o domínio do Senhor sobre o céu e o mundo. Essas bulas e esses preceitos são diametralmente opostos entre si, como o inferno e o céu. Estas coisas foram ditas a fim de que se saiba que não há absolutamente "luz de lâmpada", isto é, não há ilustração e, por conseguinte, não há percepção da verdade espiritual naqueles que estão na Religiosidade babilônica pela doutrina e pela vida segundo essa doutrina.
Que o Senhor seja a luz da qual procedem toda a ilustração e toda a percepção da verdade espiritual, é evidente por estas passagens: "Ele era a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo" (João 1; 4 a 12). (Isso é dito do Senhor); "Este é o julgamento, que a luz veio ao mundo; quem faz a verdade vem à luz" (João 3; 19 e 21); "Jesus disse: Ainda um pouco de tempo e a luz está convosco; andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem. Enquanto tendes a luz, crede na luz para que sejais filhos da luz" (João 12; 35 e 36); "Jesus disse: Eu vim como luz para o mundo, para que todo aquele que crê em Mim não permaneça nas trevas" (João 12; 46); "Jesus disse: Eu sou a luz do mundo" (João 9; 5); "Simão disse: Meus olhos viram a Tua salvação, a luz para revelação às nações" (Lucas 2; 30 a 32); "0 povo que estava sentado nas trevas viu uma grande luz. . . E aos que viviam na região da sombra da morte uma luz se levantou" (Mateus 4; 16 - lsaías 9; 2); "Dei-Te como luz para as nações, para que sejas Minha salvação até a extremidade da terra" (lsaías 49; 6); "A cidade da Nova Jerusalém não necessita do sol nem da lua para que a alumiem, porque a glória de Deus a alumia e a sua lâmpada é o Cordeiro" (Apocalipse 21; 23 - 22; 5).
Por estas passagens, está evidenciado que o Senhor é a luz da qual procede toda a ilustração e conseqüentemente toda a percepção da verdade. E como o Senhor é a luz, o diabo é a escuridão. 0 diabo é o amor de dominar sobre todas as coisas santas Divinas do Senhor e, assim, sobre o Senhor Mesmo. E quanto mais a dominação lhe for dada, tanto mais ele escurece, extingue, abrasa e queima as coisas santas Divinas do Senhor.