BE 46

Exposição Sumária da Doutrina da Nova Igreja
Emanuel Swedenborg
"E JEHOVAH será Rei sobre toda a terra: Nesse Dia JEHOVAH será Um e o Nome d'Ele Um." (Zc. 14:9)

BREVE ANALISE
Qual é, em todo o globo, a nação que, tendo uma religião e uma razão sã, não saiba e creia que há um só Deus, que fazer os males é ser contra Ele, e fazer os bens é estar com Ele; que o homem deve fugir dos males e praticar, os bens com toda sua alma, com todo o seu coração, e com todas as suas forças, ainda que estas forças influam de Deus; e que são essas coisas que constituem a religião? Quem não vê, portanto, que confessar três pessoas na Divindade, e declarar que nas boas obras nada há da salvação, é separar a religião de junto da igreja? Pois é declarado que nas boas obras nada há da salvação por estas asserções que a fé justifica sem as boas obras (nº 12 a, b) que as obras não são necessárias à salvação nem à fé, porque a salvação e a fé não são conservadas nem retiradas pelas boas obras (nº 12 g, h, m, n), e por conseguinte, que não há vínculo de conjunção da fé com as boas obras. Se diz, como um recuo, que as boas obras seguem sempre espontaneamente a fé, como os frutos procedem da árvore (nº 13 l, n). Mas quem as faz, e até quem pensa nelas, e quem é conduzido espontaneamente a fazê-las, quando se pensa e crê que elas nada fazem para a salvação, e ainda mais, que ninguém pode por si mesmo fazer algum bem para sua salvação, etc.? Se diz que eles sempre uniram a fé com as boas obras, mas essa conjunção examinada a fundo, não é uma conjunção, mas é uma adjunção, como uma espécie de acessório que não coere nem adere de outro modo senão como uma sombra que se acrescenta a um quadro de pintura, pela qual o quadro parece mais vivo. E como a religião pertence a vida, e a,vida consiste nas boas obras feitas segundo as verdades da fé, é claro que a religião mesma é essa vida, e não um tal acessório. Além disso, entre muitos, a religião é como uma cauda de, cavalo que se corta à vontade porque não tem valor.
Quem conclui de outro modo, segundo a razão, quando percebe segundo seu sentido estas palavras? "É uma loucura imaginar que as obras da segunda tábua do Decálogo justificam perante Deus." (nº 12 d) Depois estas: "Se alguém crê que assim alcança a salvação, porque ele tem a caridade, ele faz injúria ao Cristo." (nº 12e) Como também estas: "As boas obras devem ser inteiramente excluídas, quando se trata da justificação e da vida eterna;" (nº 12 f) e muitas outras ali. Quem, portanto, quando lê depois que "as boas obras seguem necessariamente a fé", e que se não a seguem, a fé é falsa e não verdadeira", (nº 13 p, q, y, etc.) vai prestar atenção a isto? E se prestar atenção, fará isto com percepção? E o bem que provém do homem sem a percepção é inanimado como se viesse de uma estátua.
Mas penetrando mais profundamente na causa dessa doutrina, tornar-se-á evidente que os chefes da Reforma tomaram a fé só por sua regra no princípio, a fim de romperem com os católicos romanos, como acima se disse. (nºs 21, 22, 23) E depois ajuntaram as obras da caridade, para que a sua doutrina não seja contrária a Escritura Santa, e para que ela pareça como uma religião, e que assim se torna sã.

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