BE &46

Exposição Sumária da Doutrina da Nova Igreja
Emanuel Swedenborg
Exposição Sumária da Doutrina da Nova Igreja (Brief Exposition of the Doctrine of the New Church)

BREVE ANALISE
Qual é, em todo o globo, a nação que, tendo uma religião e uma razão sã, não saiba e creia que há um só Deus, que fazer os males é ser contra Ele, e fazer os bens é estar com Ele; que o homem deve fugir dos males e praticar, os bens com toda sua alma, com todo o seu coração, e com todas as suas forças, ainda que estas forças influam de Deus; e que são essas coisas que constituem a religião? Quem não vê, portanto, que confessar três pessoas na Divindade, e declarar que nas boas obras nada há da salvação, é separar a religião de junto da igreja? Pois é declarado que nas boas obras nada há da salvação por estas asserções que a fé justifica sem as boas obras (nº 12 a, b) que as obras não são necessárias à salvação nem à fé, porque a salvação e a fé não são conservadas nem retiradas pelas boas obras (nº 12 g, h, m, n), e por conseguinte, que não há vínculo de conjunção da fé com as boas obras. Se diz, como um recuo, que as boas obras seguem sempre espontaneamente a fé, como os frutos procedem da árvore (nº 13 l, n). Mas quem as faz, e até quem pensa nelas, e quem é conduzido espontaneamente a fazê-las, quando se pensa e crê que elas nada fazem para a salvação, e ainda mais, que ninguém pode por si mesmo fazer algum bem para sua salvação, etc.? Se diz que eles sempre uniram a fé com as boas obras, mas essa conjunção examinada a fundo, não é uma conjunção, mas é uma adjunção, como uma espécie de acessório que não coere nem adere de outro modo senão como uma sombra que se acrescenta a um quadro de pintura, pela qual o quadro parece mais vivo. E como a religião pertence a vida, e a,vida consiste nas boas obras feitas segundo as verdades da fé, é claro que a religião mesma é essa vida, e não um tal acessório. Além disso, entre muitos, a religião é como uma cauda de, cavalo que se corta à vontade porque não tem valor.
Quem conclui de outro modo, segundo a razão, quando percebe segundo seu sentido estas palavras? "É uma loucura imaginar que as obras da segunda tábua do Decálogo justificam perante Deus." (nº 12 d) Depois estas: "Se alguém crê que assim alcança a salvação, porque ele tem a caridade, ele faz injúria ao Cristo." (nº 12e) Como também estas: "As boas obras devem ser inteiramente excluídas, quando se trata da justificação e da vida eterna;" (nº 12 f) e muitas outras ali. Quem, portanto, quando lê depois que "as boas obras seguem necessariamente a fé", e que se não a seguem, a fé é falsa e não verdadeira", (nº 13 p, q, y, etc.) vai prestar atenção a isto? E se prestar atenção, fará isto com percepção? E o bem que provém do homem sem a percepção é inanimado como se viesse de uma estátua.
Mas penetrando mais profundamente na causa dessa doutrina, tornar-se-á evidente que os chefes da Reforma tomaram a fé só por sua regra no princípio, a fim de romperem com os católicos romanos, como acima se disse. (nºs 21, 22, 23) E depois ajuntaram as obras da caridade, para que a sua doutrina não seja contrária a Escritura Santa, e para que ela pareça como uma religião, e que assim se torna sã.

Versão Impressa

Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.