BREVE ANÃLISE
Antes de se demonstrar este ponto, deve-se primeiro desvendar, perante o entendimento, de onde vem a caridade e o que é a caridade, e de onde vem a fé e o que é a fé, e assim de onde vêm as boas obras que são chamadas frutos, e o que são tais obras. A fé é a verdade, por isso a doutrina da fé é a doutrina da verdade. Ora, a doutrina da verdade pertence ao entendimento, e por conseguinte ao pensamento, e pelo pensamento à linguagem. Por isso, essa doutrina ensina o que se deve querer e o que se deve fazer. Assim ela ensina que se deve fugir dos males e quais os males de que se deve fugir, e ensina que se deve fazer os bens, e quais os bens que devem ser feitos. Quando o homem faz os bens segundo esta doutrina, então os bens se conjungem às verdades, porque a vontade se conjunge ao entendimento, e o bem pertence à vontade e a verdade pertence ao entendimento. Por essa conjunção existe a afeição do bem, a qual na sua essência é a caridade, e a afeição da verdade, a qual na sua essência é a fé, e essas duas unidades fazem um casamento. Deste casamento nascem as boas obras, como da árvore nascem os frutos. E por conseguinte elas são os frutos do bem e os frutos da verdade. Na Palavra os frutos da verdade são significados pelas uvas, e os frutos do bem pelas azeitonas.
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