BE 59

Exposição Sumária da Doutrina da Nova Igreja
Emanuel Swedenborg
"E JEHOVAH será Rei sobre toda a terra: Nesse Dia JEHOVAH será Um e o Nome d'Ele Um." (Zc. 14:9)

BREVE ANÁLISE
A proposição que o entendimento deve estar sujeito à obediência da fé, é como um cartaz posto diante dos dogmas da igreja de hoje, para indicar que os interiores são coisas místicas ou arcanas, que, por causa de sua transcendência, não podem influir na região superior do entendimento, nem podem ser percebidos. (ver nº 54) Os ministros da igreja que ambicionam elevar-se por uma reputação de sabedoria e serem tidos por oráculos nas coisas espirituais, se aplicam nas escolas teológicas principalmente as coisas que estão acima da concepção das outras, e as engolem com avidez, embora com dificuldade. E como, por essas coisas, eles são reputados sábios, e são distinguidos com os gorros doutorais ou com os mantos episcopais, quando se tornarem ilustres e opulentos por tão preciosas obscuridades, eles ponderam nas idéias do seu pensamento e ensinam em seu púlpito poucas coisas além das coisas místicas sobre justificação pela fé só, e sobre as boas obras como escravas da fé. E pela erudição sobra estas coisas, eles ora separam admiravelmente a fé e as boas obras, e ora as conjuntam. E eles fazem isso como se tivessem em uma das mãos e fé descoberta, e na outra as obras da caridade, e que ora estendendo os braços, eles as separassem, e ora juntando as mãos, eles as conjuntassem.
Outros exemplos ilustrarão: eles ensinam que as boas obras não são necessárias à salvação, porque se são feitas pelo homem elas são meritórias; e ao mesmo tempo, que estas seguem necessariamente a fé que é, para eles, uma com a salvação. Eles ensinam que a fé sem as boas obras, sendo viva, justifica; e ao mesmo tempo, que a fé sem as boas obras, sendo morta, não justifica. Eles ensinam que a fé não é conservada nem retida pelas boas obras; e ao mesmo tempo, que estas boas obras procedem da fé, como os frutos procedem da árvore, como a luz procede do sol, como o calor procede do fogo. Eles ensinam que as boas obras juntadas com a fé completam a fé; e ao mesmo tempo, que essas obras, conjuntas como por um casamento ou em uma só forma, privam a fé da sua essência salvifica. Eles ensinam que o cristão não está sob a Lei; e ao mesmo tempo, que ele está nos exercícios diários da Lei.
Eles ensinam que se as boas obras são misturadas com as coisas da salvação pela fé, como a remissão dos pecados, a justificação, a regeneração, a vivificação, e a salvação, elas são nocivas; mas que se elas não são misturadas, elas são proveitosas. Eles ensinam que Deus coroa Seus dons, que são as boas obras, por galardões, mesmo espirituais, mas não pela salvação nem pela vida eterna, porque Deus coroa somente a fé por estás. Eles ensinam que essa fé é como uma rainha que anda com pompa, tendo atrás de si as boas obras como servas, e que se estas se conjungem a ela e lhes dá um beijo, ela é expulsa do trono e chamada cortesã.
Principalmente, quando eles ensinam a fé e ao mesmo tempo as boas obras, eles consideram o mérito de um lado e o não mérito do outro, e eles escolhem os seus termos e os arranjam de modo que formam dois sentidos, um para os leigos e outro para o clero; para os leigos a fim de que a nudez da fé não se mostre, e para o clero a fim de que ela se, mostre. Julgai, se alguém, escutando tal ensino, pode tirar alguma coisa da doutrina que conduza à salvação. Não ficará, pois, cego em presença das contradições que esse ensino encerra. E depois não apalpará os objetivos da salvação como um homem que anda de noite? Haverá alguém que saiba se ele tem alguma fé pelo testemunho das obras? Será melhor para ele fazê-las com o medo do mérito, ou omiti-ias com o medo de perder a fé? Mas, meu amigo, tira-te de um tal ensino, e foge dos males como pecados, pratica os bens e crê no Senhor, e a justificação que salva-te será dada.

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