. Nas igrejas cristãs, segundo a predição, há hoje uma tal escuridão, que não existe luz do sol durante o dia, nem luz da lua e das estrelas durante a noite. Isso vem unicamente da Doutrina da Justificação pela Fé Só. Pois essa doutrina ensina que a fé é o único meio da salvação, de cujo influxo, progresso, habitação, operação e eficácia, ninguém tem visto sinal algum. E nesta fé não entram e não se encontram de modo algum a Lei do Decálogo, a caridade, as boas obras, a penitência, e o estudo de uma nova vida. É afirmado que essas coisas seguem, espontaneamente, não sendo úteis para manter a fé ou para adquirir a salvação.
A Doutrina da Justificação pela Fé Só ensina também que essa fé gratifica com a liberdade os que são renascidos ou os que adquiriram a fé, para que eles não estejam sob a Lei. E ela ensina que o Cristo cobre os pecados deles diante de Deus Pai, que os remete como se Ele os não tivesse visto, e que coroa aqueles que têm essa fé pela renovação, santidade e vida eterna.
Essas coisas e muitas outras semelhantes são os interiores dessa doutrina. Os exteriores, que não entram nela, são coisas preciosas sobre a caridade, as boas obras, os atos da penitência, os exercícios da Lei. Mas estas coisas são como escravos e criados que seguem, a Fé sua soberana sem dela se aproximar. Contudo, porque aqueles que ensinam sabem que os leigos consideram essas coisas como salvificas em conjunto com a fé, eles as ajuntam com zelo em seus sermões e em suas conversas, e fingem uni-Ias e aplicá-las à justificação, mas unicamente com o fim de lisonjear os ouvidos do vulgo e pôr em seguro os seus oráculos para que não pareçam enigmáticos, ou como coisas pitônicas.
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