CL &16

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- Os Conselheiros Assistentes, os Conselheiros Camaristas e os Governadores ficaram em pé, em torno da mesa, e à ordem do Príncipe juntaram as mãos, e pronunciaram ao mesmo tempo em voz baixa um louvor votivo ao Senhor; e em seguida, a um sinal do Príncipe, se puseram à mesa em leitos; e o Príncipe disse aos recém-vindos: "Ponde-vos à mesa também, comigo; eis, aí estão os vossos lugares". E eles se puseram à mesa; e oficiais da corte, enviados de antemão pelo Príncipe para os servir, mantinham-se em pé atrás deles; e então o Príncipe lhes disse: "Tomai cada um o prato de cima de seu suporte, e em seguida cada um prato junto da Pirâmide". E eles os tomaram; e eis que em seguida novos pratos e novos pratos fundos foram vistos substituindo-os, e suas taças estavam cheias com o vinho da fonte que jorrava da grande Pirâmide; e comeram e beberam. Quando estavam meio saciados, o Príncipe dirigiu a Palavra aos dez convidados, e disse: "Fui informado de que na terra, que está sob este Céu, fostes convocados para conhecer os vossos pensamentos sobre as Alegrias do Céu, e sobre a Felicidade eterna que elas produzem, e vós os havíeis manifestado de diferentes maneiras, cada um segundo os prazeres dos sentidos do seu corpo. Mas, e o que são os prazeres dos sentidos do corpo sem os prazeres da alma? É a alma que faz que eles sejam prazeres; os prazeres da alma sã , o em si mesmos beatitudes não perceptíveis, mas se tornam cada vez mais perceptíveis conforme descem nos pensamentos da mente, e por estes pensamentos nas sensações do corpo; nos pensamentos da mente, são percebidas como felicidade, nas sensações do corpo como divertimento, e no corpo mesmo como volúpias; e outras tomadas em conjunto constituem a Felicidade eterna; )tas esta Felicidade que não resulta senão das últimas, sós, não é eterna, é uma felicidade temporária que acaba e passa, e que por vezes se torna infelicidade. Vistes agora que todas as vossas alegrias são também alegrias do Céu, e muito acima do que jamais pudestes imaginar; mas não obstante estas alegrias não afetam interiormente as nossas mentes (animi) Há três coisas que influem como uma só do Senhor em nossas almas; estas três cousas como uma só, ou este trino são o amor, a sabedoria e o uso; todavia, o amor, e a sabedoria não existem senão de uma maneira ideal, quando não estão senão na afeição e no pensamento da mente; mas no uso eles existem em realidade, porque estão ao mesmo tempo no ato e na obra do corpo; e onde existem em realidade, aí também subsistem; e pois que o amor e a sabedoria existem e subsistem no uso, é o uso que nos afeta, e o uso consiste em executar fielmente, e, sinceramente, e cuidadosamente os trabalhos de sua função; o amor do uso, e por conseguinte a aplicação do uso, impede a mente de se espalhar por aqui e por ali, de errar vagamente, e de se encher de todas as cobiças que influem do corpo e do mundo pelos sentidos com atrativos sedutores, e pelas quais os veros da Religião e os veros da Moral com seus bens são dissipados a todos os ventos; mas a aplicação da mente ao uso contêm e liga em conjunto estes veros, e dispõe a mente em uma forma susceptível de receber a sabedoria por estes veros; e então expulsa para os lados os brinquedos e os divertimentos das falsidades e das vaidades. Mas aprendereis mais sobre este assunto com os sábios de nossa Sociedade, que vos enviarei esta tarde". 0 Príncipe tendo assim falado se levantou, e com ele todos os convivas, e disse: "Paz!" e deu ordem ao Anjo, seu condutor, que os levasse aos seus apartamentos, e lhes prestasse todas as honras da civilidade, e chamasse também homens polidos e afáveis para os entreter agradavelmente sobre diferentes alegrias desta sociedade.

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