CL &18

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- Durante esta conversa acorreu um servidor e anunciou que oito Sábios se apresentavam por ordem do Príncipe e queriam entrar; a essa notícia o Anjo saiu, e os recebeu e os introduziu; e em seguida os Sábios, após as fórmulas de cordialidade e polidez, falaram a princípio dos começos e dos acréscimos da sabedoria, aos quais entremearam diversas cousas sobre sua duração, dizendo que nos anjos a sabedoria não tem fim e não descontinua, mas cresce e aumenta durante a eternidade. Estas explicações tendo sido dadas, o Anjo da Coorte lhes disse: "0 nosso Príncipe lhes falou, à mesa, da sede da sabedoria e lhes disse que ela está no uso; peço-vos que lhes falem, também, sobre este assunto". E eles disseram: "0 homem, criado a princípio, foi imbuído com a sabedoria e o amor da sabedoria, não para ele mesmo, mas para fazer comunicação dela aos outros por ele; por conseguinte, foi gravado na sabedoria dos sábios que quem quer que seja não deve ser sábio nem viver para si, a não ser que ao mesmo tempo viva para os outros; daí a Sociedade, que de outro modo não existiria; viver para os outros, é fazer usos; os usos são os laços da sociedade; há tantos desses laços quanto há de bons usos, e o número dos usos é infinito; há usos espirituais que pertencem ao amor para com Deus e o amor em relação ao próximo; há os usos morais e civis que pertencem ao amor da sociedade e da cidade nas quais o homem está, e ao amor dos companheiros e dos cidadãos com os quais ele mora; há os usos naturais que pertencem ao amor do mundo e de suas necessidades; há os usos corporais que pertencem ao amor de sua própria conservação por causa dos usos superiores. Todos estes usos foram gravados no homem, e seguem-se em ordem, um após outro, e quando estão junto, um está no outro: aqueles que estão nos primeiros usos, isto é, nos usos espirituais, estão também nos usos seguintes, e esses são sábios; mas os que não estão nos primeiros, e entretanto estão nos segundos, e daí nos seguintes, não são sábios do mesmo modo, mas unicamente segundo a moralidade e a civilidade externas, aparecem como se o fossem; os que não estão nos primeiros nem nos segundos, mas estão nos terceiros e nos quartos, não são sábios de modo algum, pois são satanases; com efeito, amam unicamente o mundo, e pelo mundo amam-se a si mesmos; mas os que não estão senão nos quartos são os menos sábios de todos, pois são diabos, porque vivem para si sós, e se vivem para os outros, é unicamente por causa deles mesmos. Além disso, cada amor tem seu prazer, e o prazer do amor dos usos é um prazer celeste, o qual entra nos prazeres que seguem em ordem, e os exalta segundo a ordem de sucessão e os torna eternos". Em seguida fizeram a enumeração das Delícias celestes que procedem do amor do uso, e disseram que há miríades de miríades e que os que entram no Céu entram nessas delícias; e, de mais, passaram com eles o resto do dia até à tarde a tratar do amor do uso por sábias conversações.

Versão Impressa

Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.