- Terceiro Memorável. No dia seguinte o Anjo que me tinha conduzido e acompanhado veio ainda, e me disse,: "Prepara-te, e vamos aos Habitantes Celestes, no Ocidente; eles fazem parte dos homens que viveram na terceira Idade ou Século do Bronze; suas habitações estão desde o Sul sobre o Ocidente até ao Setentrião, mas não no Setentrião". E, tendo me preparado, eu o segui, e entramos em seu Céu pelo lado meridional e lá, havia um magnífico Bosque de palmeiras e de loureiros; nós o atravessamos, e então nos confins mesmo do Ocidente vimos Gigantes de uma altura dupla do talhe ordinário do homem; estes nos fizeram esta pergunta: "Quem vos introduziu por este Bosque?" 0 Anjo disse "0 Deus do Céu". E eles responderam: "Nós somos os Guardiães para o Céu antigo Ocidental; quanto a vós, passai". E nós passamos, e de seu posto de observação vimos uma Montanha elevada até às nuvens; e entre nós neste lugar, e esta montanha, numerosas aldeias cercadas de jardins, de bosques e de campos, e fomos, através destas aldeias até à montanha, e subimos; e eis que seu Cume era, não um cume ordinário, mas uma Planura, e sobre ela uma Cidade extensa e espaçosa; e todas as casas da Cidade eram construídas de madeira de árvores resinosas, e os telhados eram de tábuas; e perguntei porque as casas aí eram de madeira; o Anjo respondeu: "Porque a madeira significa o Bem natural, é por isso que o Século em que eles viveram foi chamado Bem; como o Cobre, ou o Bronze, significa também o Bem natural, e por isso que o Século em que eles viveram foi chamado pelos antigos o Século de Bronze; há também aqui Edifícios sagrados construídos na Madeira de Oliveira, e no meio há o Santuário, onde está depositada em uma Arca a Palavra dada aos habitantes da Ásia antes da Palavra Israelita; os Livros Históricos desta Palavra são chamados as Guerras de Jehovah, e os Livros Proféticos, os Enunciados; uns e outros são citados por Moisés, Números XXI, 14, 15 e 27 a 30; esta Palavra hoje está perdida nos Reinos da Ásia, e conservada unicamente na Grande Tartária". E então o Anjo me conduziu a um destes Edifícios sagrados, e nós examinamos o seu interior, e no meio vimos esse Santuário, todo ele em uma luz muito brilhante; e o Anjo disse: "Esta luz é produzida por esta Antiga Palavra Asiática, pois nos Céus todo Divino vero brilha". Saindo do Edifício sagrado, soubemos que tinha sido anunciado na Cidade que dois estrangeiros tinham chegado, e que era necessário examinar donde eles vinham, e que negócio os trazia; e da Corte de Justiça acorreu um guarda, e êle nos levou perante os Juizes; e à pergunta donde éramos e que negócio nos tinha trazido, nós respondemos: "Nós atravessamos o Bosque de palmeiras, e também os Domicílios dos Gigantes que são os Guardiães de vosso Céu, e em seguida a Região das aldeias; podeis concluir daí que não é por nós mesmos, mas que é pelo Deus do Céu, que chegamos aqui; e o negócio, pelo qual viemos, é ser instruídos a respeito de vossos Casamentos, se são Monogâmicos ou Poligâmicos". E eles responderam: "0 que! Poligâmicos! Esses casamentos não são escortatórios?" E então esta Assembléia Judiciária nomeou um homem inteligente para nos instruir em sua casa sobre este assunto; e em sua casa este se reuniu a sua Esposa, e nos falou nestes termos: "Conservamos entre nós sobre os Casamentos os Preceitos dos homens das primeiras Idades, ou das Antiqüíssimas, que no Mundo estiveram no Amor verdadeiramente conjugal, e por conseqüência mais do que todos os outros na Virtude e na potência deste amor, e que agora, em seu Céu que é no Oriente, estão no estado mais feliz; nós somos, a sua Posteridade; e eles, como Pais, nos deram, a nós, como filhos, as Regras da vida, entre as quais há, sobre os Casamentos, estas: "Filhos, se quereis amar a Deus e ao próximo, e se quereis vos tornar sábios, e ser felizes pela eternidade, nós vos aconselhamos a viver Monogâmicos; se abandonardes este Preceito, todo Amor celeste se afastará de vós, e com ele a Sabedoria interna, e sereis exterminados". Nós obedecemos como filhos, a este preceito de nossos Pais, e percebemos a sua verdade, que é que, quanto mais alguém ama uma Esposa, tanto mais se torna celeste e interno; e que, quanto mais alguém não ama uma Esposa, só, tanto mais se torna material e externo; e este não ama senão a ele mesmo e às imagens de sua mente, e é um insensato e um louco. Daí resulta que todos, neste Céu, somos Monogâmicos; e porque somos assim, todos os limites de nosso Céu são guardados contra os Polígamos, os Adúlteros e os Escortatórios; se os Polígamos penetram aqui, são lançados nas Trevas do setentrião; si os Adúlteros, são lançados nos Fogos do ocidente; e se os Escortatórios, são lançados nas Luzes quiméricas do sul". A estas palavras, eu perguntei o que ele entendia pelas trevas do setentrião, os fogos do ocidente e as luzes quiméricas do sul; ele respondeu que as Trevas do setentrião são as estupidezes da mente e as ignorâncias das verdades; que os Fogos do ocidente são os amores do mal; e que as Luzes quiméricas do sul são as falsificações do vero, as quais são escortações espirituais". Depois disso ele me disse: "Seguí-me ao nosso Gabinete de cousas antigas". E nós o seguimos; e ele nos mostrou que as Escrituras dos Antiqüíssimos eram sobre Tabletes de madeiras polidas; e que a segunda Idade tinha consignado suas escrituras sobre Folhas de Pergaminho, e nos apresentou uma Folha sobre a qual estavam as Regras dos homens da primeira Idade, transcritos de suas tábuas de pedra, e entre as quais havia também o preceito sobre os Casamentos. Depois que vimos estas cousas memoráveis da Antigüidade mesma e várias outras, o Anjo disse: "Agora é tempo de irmos embora". E então, o nosso hóspede foi ao Jardim, e tomou de uma Arvore alguns ramos, e os ligou em um feixe e nos deu, dizendo: "Estes ramos são de uma Arvore nativa de nosso Céu, ou própria a nosso Céu, e seu suco tem um aroma balsâmico". Levamos este feixe, e descemos por um caminho perto do Oriente que não era guardado; e eis que os ramos se mudaram em Bronze brilhante, e suas extremidades superiores em ouro; era um sinal de que tínhamos estado em uma nação da Terceira Idade, que é chamada o Século do Cobre ou do Bronze.
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