CL &145

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- VI. Naqueles que, pelo Senhor, se tornam espirituais, o Amor conjugal é purificado cada vez mais, e se torna casto.
1. 0 primeiro amor, pelo qual se entende o amor que precede as núpcias e as seguem imediatamente, tira alguma cousa do amor do sexo; assim, do ardor próprio do corpo, não ainda mitigado pelo amor do espírito. 2. 0 homem de natural torna-se progressivamente espiritual; pois ele se torna espiritual conforme o Racional, que fica no meio entre o Céu e o Mundo, começa a tirar sua vida do influxo do Céu, o que se faz conforme a sabedoria o afeto e o alegra, ver acima n. 130, e quanto mais isso se faz, tanto mais sua Mente é elevada a uma aura (atmosfera) superior, que é o continente da luz e do calor celestes, ou, o que dá no mesmo, o continente da sabedoria e do amor, em que estão os Anjos; pois a luz celeste faz um com a sabedoria, e o calor celeste faz um com o amor; e conforme a sabedoria e seu amor crescem nos esposos, o Amor conjugal é purificado neles; ora, como isso se faz progressivamente, segue-se que este amor se torna cada vez mais casto. Esta purificação espiritual pode ser comparada à purificação dos espíritos naturais, efetuada pelos Químicos, e denominada Defecação, Retificação, Castigação, Coobação, Acução, Decantação, Sublimação; e a sabedoria purificada pode ser comparada ao Álcool, que é o espírito retificado no mais alto grau. 3. Ora, como a sabedoria espiritual é tal em si mesma, que se abrasa cada vez mais com o amor de se tornar sábio, e que por isso cresce eternamente, o que acontece conforme é aperfeiçoado como que por defecações, castigações, retificações, acuções, decantações e sublimações e estas por eliminações e abstrações do Entendimento de todas as ilusões dos sentidos, e da Vontade de todos os amores do corpo, é evidente que igualmente o Amor conjugal, de que a Sabedoria é a mãe (parens) se torna progressivamente cada vez mais puro, e por conseqüência casto. Que o primeiro estado do amor, entre os esposos, seja o estado do calor ainda não temperado pela luz, mas que este calor seja progressivamente temperado, conforme o Marido é aperfeiçoado em sabedoria, e a Esposa ama esta sabedoria no marido, vê-se no Memorável, n. 137.

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