CL &262

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- Imediatamente, examinei o Primeiro Amor universal do Inferno, que era o Amor de dominar pelo amor de si, e em seguida, o Amor universal do Céu, que lhe corresponde, isto é, o Amor de dominar pelo amor dos usos; com efeito, não me foi permitido examinar um desses amores sem examinar o outro, porque o Entendimento não percebe um sem o outro, pois êles são opostos; por isso, para que um e outro sejam percebidos devem ser postos em oposição, um contra o outro; pois uma face bela e regular brilha com esplendor quando se lhe opõe uma face feia e disforme. Quando tinha examinado bem o Amor de dominar pelo amor de si, me foi dado perceber que este Amor era infernal no grau supremo, e por conseguinte está nos que estão no Inferno mais profundo; e que o Amor de dominar pelo amor dos usos era celeste no grau supremo, e por conseguinte estava naqueles que estão no Céu supremo. Se o Amor de dominar pelo amor de si é infernal no grau supremo, é porque dominar pelo amor de si, é dominar pelo próprio; ora o próprio do homem é por nascimento o mal mesmo, e o mal mesmo é diametralmente contra o Senhor; por isso quanto mais se progride no mal, mais se nega Deus e as cousas santas da Igreja e mais se adora a si mesmo e a natureza; que os que estão no mal examinem isso em si mesmos, eu lhes peço, e verão; este amor também é tal que, se lhe afrouxam as rédeas, o que acontece quando o impossível não lhe faz obstáculo, tanto mais se lança de grau em grau, e até ao mais alto; e não se limita a isso, mas se não há um grau mais elevado, se queixa e geme. Este Amor, nos Políticos, sobe ao ponto de quererem ser Reis e Imperadores; e se fosse possível dominar sobre o mundo inteiro, e ser chamados reis dos reis e imperadores dos imperadores; e nos Eclesiásticos, este mesmo Amor sobe a um tal ponto, que quereriam ser deuses, e tanto quanto possível, dominar sobre o Céu inteiro, e ser chamados deuses dos deuses. Que nem uns nem outros reconhecem de coração Deus algum, ver-se-á no que vai seguir. Mas, ao contrário, os que querem dominar pelo amor dos usos, querem dominar não por eles mesmos, mas pelo Senhor, porque o Amor dos usos vêm do Senhor, e é o Senhor Mesmo; êstes não consideram as dignidades senão como meios para fazer usos; colocam os usos bem acima das dignidades, enquanto que os primeiros colocam as dignidades bem acima dos usos.

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