CL &263

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- Enquanto meditava sobre este assunto, me foi dito por um Anjo da parte do Senhor: "Agora, tu vais ver e depois de ver te confirmarás qual é este Amor infernal". E então a terra se abriu de repente à esquerda, e vi subir do Inferno um diabo com a, cabeça coberta por um boné enterrado na testa até aos olhos, com a face cheia de pústulas como as de uma febre ardente, com os olhos esbugalhados, o peito estufado em rombo; da boca lançava fumaça como uma fornalha, seus lombos eram inteiramente ígneos; em vez de pés tinha calcanhares ósseos sem carne, e de seu corpo se exalava um calor infecto e imundo. Ao vê-lo fiquei apavorado, e lhe gritei: "Não te aproximes; diz-me donde és?" E ele respondeu com uma voz rouca: "Sou dos infernos e aí vivo com duzentos outros em uma Sociedade que é a mais eminente de todas as sociedades; lá somos todos imperadores de imperadores, reis de reis, duques de duques, e príncipes de príncipes; lá ninguém é simplesmente imperador, simplesmente rei, duque, príncipe; nós estamos lá sentados sobre tronos de tronos, e daí enviamos nossas ordens sobre todo o globo, e, além". Então eu lhe disse: "Não vês que a fantasia da proeminência te faz desarrazoar?" Ele me respondeu: "Como podes falar assim?" pois nós nos vemos a nós mesmos, como tais, e também somos reconhecidos como tais pelos companheiros. A esta resposta, não quis lhe dizer de novo: "Tu desarrazoas"; porque a fantasia o fazia desarrazoar: e me foi dado saber que este diabo, quando vivia no mundo, tinha sido apenas intendente de uma casa; e que então se tinha ensoberbecido em seu espírito, a ponto de desprezar todo o gênero humano comparando-o consigo, e se comprazia na fantasia de que era mais capaz do que um rei, e mesmo mais capaz do que um imperador; por este orgulho tinha ele negado Deus, e considerado todas as coisas santas da Igreja como nada para ele, mas como de alguma utilidade para a populança estúpida. Enfim eu lhe disse: "Vós que sois lá duzentos, quanto tempo vos glorificais assim entre vós?" E disse: "Eternamente; mas aqueles de nós que atormentam os outros, porque negam a nossa proeminência, são engolidos, pois nos é permitido nos glorificarmos, mas não fazer mal a quem quer que seja". Fiz-lhe ainda esta pergunta: "Sabes qual é a sorte dos que são engolidos?" Respondeu-me. "Caem em uma espécie de prisão, onde são chamados mais vis do que os vis, ou os mais vis; e trabalham". Então disse a esse diabo: "Toma cuidado, portanto, para não seres engolido".

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