CL &524

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- I. A cada um, depois da morte, é imputado o mal em que está, semelhantemente o bem.
Para que este artigo seja apresentado com alguma evidência, será examinado por subdivisões desta ordem: 1º Cada um tem uma vida que lhe é própria. 2º Depois da morte, a vida de cada um permanece. 3º Então ao Mau é imputado o mal de sua vida, e ao Bom é imputado o bem de sua vida. Primeiramente: Cada um tem, uma vida que lhe é própria, por conseguinte distinta da vida de um outro; isso é sabido; existe, com efeito, uma variedade perpétua, e não há cousa alguma que seja a mesma que uma outra; daí, cada um tem o seu próprio; é o que se vê claramente pelas faces dos homens, não existe face que seja absolutamente semelhante a uma outra face, e não o pode haver em tôda a eternidade; e isso porque não há duas mentes (animi) semelhantes, e porque as faces dependem das mentes (animi); com efeito, a face é, como se disse, o tipo da mente, e a mente (animus) tira da vida sua origem e sua forma. Se o homem não tivesse uma vida que lhe é própria, como tem uma mente (animus) e uma face que lhe são próprias, não teria depois da morte uma vida distinta da vida de um outro; e mesmo, não teria também o Céu, pois o Céu consiste em perpétuas variedades (ex aliis perpetuis); sua forma é únicamente composta de variedades de almas e de mentes dispostas em uma tal ordem que fazem um, e fazem um segundo o Um, cuja Vida está em todas e cada uma das variedades, como a alma está no homem; se isso não fosse assim, o Céu seria dissipado, porque a forma seria dissolvida. O Um pelo Qual a vida está em todas e cada uma das variedades, e pelo Qual a forma tem coerência, é o Senhor. Em geral, toda forma é composta de cousas variadas, e é tal qual é a coordenação harmônica destas cousas, e sua disposição para ser um; tal é a forma humana, que é composta de tantos membros, vísceras e órgãos, não sente alguma cousa nele e dele senão como sendo um. Segundamente: Depois da morte, a vida de cada um permanece. Isso é sabido na Igreja pela Palavra, e por estas passagens da Palavra: "0 Filho do Homem deve vir, e então dará a cada um segundo suas obras", (Mateus XVI, 27). "Vi os livros abertos, e todos foram julgados segundo suas obras", (Apoc. XX, 12 e 13). "No dia do julgamento, Deus dará a cada um segundo suas obras" (Romanos 11, 6; 11 Coríntios V, 10). As obras, segundo as quais será dado a cada um, são a vida, porque é a vida que as faz, e porque elas são segundo a vida. Como me foi permitido, durante vários anos, estar na companhia dos Anjos, e falar (no Mundo espiritual) com aqueles que chegavam do Mundo, posso atestar com certeza que cada um aí é examinado sobre a qualidade de sua vida, e que a vida que contraiu no Mundo lhe fica pela eternidade; falei com aquêles que tinham vivido há Séculos, e cuja vida me era conhecida pela História, e reconheci que tinham uma vida semelhante à discrição histórica; soube também pelos Anjos que a vida de quem quer que seja não pode ser mudada depois da morte, porque foi organizada segundo seu amor, e por conseguinte segundo as obras; e que se fosse mudada, a organização seria dissolvida, o que jamais pode acontecer; além disso também, que a mudança de organização se dá únicamente no corpo material, e não é, de modo algum, possível no corpo espiritual depois que o corpo material foi rejeitado. Terceiramente: Então ao Mau é imputado o, mal de sua vida, e ao Bom é imputado o bem de sua vida. A imputação do mal não é uma acusação, nem uma censura, nem uma inculpação, nem um julgamento, como no Mundo; mas o mal mesmo faz isso; com efeito, os maus por seus livres separam-se dos bons, porque não podem estar juntos; os prazeres do amor do mal têm em aversão os prazeres do amor do bem, e os prazeres se exalam de cada um como os odores se exalam de todo vegetal sobre a terra; pois não são nem absorvidos nem escondidos pelo corpo material como antes; mas efluem livremente de seus amores na atmosfera espiritual (aura); e como o mal aí é sentido como em seu odor, é este mal que acusa, censura, inculpa e julga, não diante de um juiz, mas diante de quem quer que esteja no bem; e é isto que é entendido por Imputação; além disso, o Mau escolhe companheiros com quem possa viver em seu prazer, e como tem em aversão o prazer do bem, ele se dirige por si mesmo para os seus no inferno. A Imputação do bem se faz da mesma maneira; isto acontece com aqueles que no Mundo reconheceram que todo bem nêles vem do Senhor, e que nada do bem vem deles; depois que estes foram preparados, são enviados aos prazeres interiores de seu bem, e então lhes é aberto um caminho para o Céu em direção à Sociedade onde os prazeres são. homogéneos com os seus; isto é feito pelo Senhor.

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