CL &527

O Amor Conjugal
Emanuel Swedenborg
As Delicias da Sabedoria sobre o Amor Conjugal e as Volupias da Loucura sobre o Amor Escortatório

- IV. 0 mal e o bem é imputado a cada um segundo a qualidade de sua vontade, e segundo a qualidade de seu entendimento.
Sabe-se que há duas coisas que fazem a vida do homem, a Vontade e o Entendimento, e que todas as cousas que são feitas pelo homem são feitas por sua vontade e por seu entendimento, e que sem estes dois agentes o homem não teria ação, nem linguagem diferentemente de uma máquina; daí é evidente que tais são a vontade e o entendimento do homem, tal é o homem; além disso também, a ação do homem é em si mesma tal qual é a afeição de sua vontade que produz esta ação, e a linguagem do homem é em si mesma tal qual é o pensamento de seu entendimento que produz esta linguagem; é por isso que muitos homens podem agir e falar da mesma maneira, e entretanto agem e falam de uma maneira diferente, um por uma vontade e um entendimento maus, o outro por uma vontade e um entendimento bons. Vê-se por aí o que é entendido pelas Ações ou as obras, segundo as quais cada um será julgado, a saber, que é a vontade e o entendimento, que por conseguinte pelas obras más são entendidas as obras de uma vontade má, de qualquer maneira que elas sejam apresentadas nos externos, e que pelas obras boas são entendidas as obras de uma vontade boa, ainda que nos externos se apresentem semelhantes às obras do homem mau. Todas as coisas que são feitas pela vontade interior do homem, são feitas de propósito determinado, pois que esta vontade se propõe o que faz por sua intenção; e todas as coisas que são feitas pelo entendimento, são feitas por confirmação, pois que o entendimento confirma; por isto, pode-se ver que o mal ou o bem é imputado a cada um segundo a qualidade de seu entendimento a seu respeito. Posso confirmar isso pela narração seguinte: No Mundo espiritual encontrei vários Espíritos que no Mundo natural tinham vivido do mesmo modo que outros, vestindo-se com luxo, alimentando-se com requinte, negociando como os outros com proveito, freqüentando espetáculos, gracejando sobre assuntos amorosos como que por um desejo libidinoso, e fazendo várias outras ações semelhantes; e entretanto os Anjos consideravam em uns estas ações como males de pecado, e em outros eles não as imputavam como males, e declaravam estes inocentes, e aqueles culpados; interrogados porque decidiam assim, pois que as ações eram semelhantes, responderam que os examinavam, a todos, segundo o propósito determinado, a intenção ou o fim, e por isso os distinguiam; e que é por isso que eles mesmos desculpam ou condenam aqueles que o fim desculpa ou condena, porque o fim do bem está em todos no Céu, e o fim do mal em todos no Inferno.

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