- I. A Mente natural, que está nos males e, por conseguinte nos falsos, é a forma e a imagem do inferno.
Não pode ser descrito aqui o que é a Mente natural em sua forma substancial no homem, ou o que é ela em sua forma tecida de substâncias de um e outro Mundo nos Cérebros, onde reside a Mente em seus primeiros; será dada uma idéia universal desta forma no que segue, quando se tratar da correspondência da Mente e do Corpo. Aqui, se dirá somente alguma cousa de sua forma quanto aos estados e às suas mudanças, pelas quais se apresentam as percepções, os pensamentos, as intenções, as vontades, e as cousas que lhes pertencem; pois a Mente natural, que está nos males e, por conseguinte nos falsos, é quanto a estas cousas a forma e a imagem do inferno; esta forma supõe uma forma substancial como sujeito, pois as mudanças de estado não podem existir sem uma forma substancial que seja o sujeito, absolutamente da mesma forma que a vista não pode existir sem o olho, nem a audição sem o ouvido. Assim, quanto ao que concerne à forma ou à imagem pela qual a Mente se assemelha ao inferno, tal é esta forma e esta imagem: O amor reinante, com suas concupiscências, que é o estado universal desta Mente, é como no inferno o diabo, e os pensamentos do falso que tem sua origem neste amor reinante são como a tropa do diabo; pelo diabo e sua tropa não é tampouco entendida outra cousa na Palavra. É também a mesma cousa, pois no inferno o Amor de dominar pelo amor de si é o Amor reinante; lá, este amor é chamado o diabo, e as afeições do falso com os pensamentos que têm sua origem neste amor, são chamados a tropa do diabo; dá-se o mesmo em cada sociedade do inferno com diferenças tais como são as diferenças especificas de cada gênero. Em uma semelhante forma está também a Mente natural que está nos males e por conseguinte nos falsos; é por isso também que o homem natural, que é tal, entra depois da morte para uma sociedade do inferno semelhante a ele, e faz um então com ela em todas e cada uma das cousas, pois entra em sua forma, isto é, nos estados de sua mente. Há também um outro Amor, que é chamado Satanás, subordinado ao primeiro amor que é chamado Diabo; este amor é o amor de possuir os bens dos outros por um artifício qualquer; as malícias engenhosas e a astúcia são a sua tropa. Os que estão neste inferno são em geral chamados Satanases, e os que estão no primeiro são chamados Diabos, e lá os que não agem clandestinamente não rejeitam seu nome; é daí que os infernos no composto são chamados Diabo e Satanás. Se os dois infernos foram distinguidos em geral segundo estes dois amores, é porque todos os Céus foram distinguidos em dois Reinos, o Celeste e o Espiritual, segundo os dois amores, e que por oposição o Inferno diabólico corresponde ao Reino Celeste, e o Inferno satânico ao Reino espiritual; que os Céus tenham sido distinguidos em dois Reinos, o Celeste e o Espiritual, vê-se no Tratado do Céu e do Inferno, nº 20 a 28. Se a Mente natural, que é tal, está na forma do Inferno, é porque tarda forma espiritual nos muito grandes e nos muito pequenos é semelhante a ela mesma, donde resulta que cada Anjo é o Céu na menor forma, como foi mostrado também no Tratado do Céu e do Inferno, nº 51 a 58; daí resulta ainda que todo homem ou todo espírito, que é um diabo ou um satanás, é o inferno na menor forma.
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