SA &368

Sabedoria Angélica
Emanuel Swedenborg
Sobre o Divino Amor e Sobre a Divina Sabedoria

- V. Tal é o amor, tal é a sabedoria, e por conseqiicncia tal é o homem. Com efeito, tais são o amor e a sabedoria, tais são a von-tade e o entendimento, pois a vontade é o receptáculo do amor, e o entendimento é o receptáculo da sabedoria, como foi mostrado acima, e estas duas causas fazem o homem e a qualidade do homem. O amor é múltiplo, e de tal modo mííltiplo, que suas variedades são indefini-das, como se pode ver pelo Genero Humano sôbre a terra e nos Céus; não há um único homem, nem um único anjo, de tal modo semelhante a um outro, que não haja distinção alguma; é o amor que distingue, pois cada um é seu amor; imagina-se que a sabedoria distingue, mas a sabedoria vem do amor, ela é a sua forma; pois o amor é o ser da vida, e a sabedoria é o existir da vida segundo êste ser. Crê-se no Mundo, que o entendimento faz o homem; mas crê-se nisso, porque o entendimento pode ser elevado à luz do Céu, como foi mostrado acima, e porque assim o homem pode se mostrar como sábio; mas não obs-tante esta cousa do entendimento que passa além, isto é, cpie não per-tence ao amor, parece cpie pertence ao homem, que assim o homem seja tal, mas é uma aparência; com efeito, esta cousa do entendimento que passa além pertence, é verdade, ao amor de saber e de ser sá-bio, mas não pertence ao mesmo tempo ao amor de aplicar à vida aquilo que se sabe e aquilo que parece sábio; é por isso que esta causa no Mundo se retira com o tempo, ou fica como caduca nas extremidades fora das causas da memória; também, depois da morte, é ela separada; e não resta senão aquilo que concorda com o próprio amor do espí-rito. Como o amor faz a vida do homem, e assim o homem mesmo, é por isso que tôdas as sociedades do Céu, e todos os anjos nas so-ciedades, são dispostos em ordem segundo as afeições que pertencem ao amor, e que sociedade alguma, e em uma sociedade, anjo algum, é disposto em ordem segundo alguma cousa do entendimento separado de seu amor; dá-se o mesmo nos infernos e em suas sociedades, mas segundo os amôres opostos aos amôres celestes. Por estas explicações pode-se ver que, tal í o amor, tal é a sabedoria, e que por conse-guinte tal é o homem.

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