I. Há correspondência da vontade e do entendimento com o coração e o pulmão, e por consequência, correspondência de tôdas as cousas da mente como as do corpo. Isto é nôvo, pois até ao presente, não é conhecido, pela razão de que se ignorou o que é o espiritual, e em que difere do natural, e que por conseguinte não se soube o que é a correspondência, pois há correspondência dos espirituais com os natu-rais, e por esta correspondência se faz sua conjunção. Diz-se que até ao presente se ignorou o que é o espiritual, e qual é sua correspondèn-cia com o natural, e por conseqiiência o que é a correspondència; mas entretanto ter-se-ia podido conhecer um e outro. Quem não sabe que a afeição e o pensamento são espirituais, e que por conseguinte tôdas as causas da afeição e do pensamento são espirituaisP Quem não sabe que a ação e a linguagem são naturais e que por conseguinte tôdas as cousas que pertencem à ação e à linguagem são naturais'? Quem não sabe que a afeição e o pensamento, que são espirituais, fazem com que o homem aja e fale. Quem por conseguinte não pode saber o que é a correspondência dos espirituais com os naturais? O pensamento não faz com que a língua fale; e a afeição, unida ao pensamento, não faz com que o corpo aja'? São duas causas distintas; eu posso pensar e não falar, e posso querer e não agir; e sabe-se que o corpo não pensa e não quer, mas que o pensamento cai na linguagem, e a vontade na ação. A afeição não brilha também sôbre a face, e não apresenta aí um tipo dela mesma? Todos sabem isso. A afeição considerada em si mesma, não é espiritual, e as mudanças da face, cpie não chamadas ex-, pressões fisionômicas, não são naturais? Quem não pode concluir daí que há correspondência, e que por conseguinte há correspondência de tôdas as causas da mente com tôdas as causas do corpo; e como tòdas as cousas da mente se referem à afeição e ao pensamento, ou o que dá no mesmo, à vontade e ao entendimento, e tôdas as cousas do corpo ao coração e ao pulmão, há correspondência da vontade com o coração, e do entendimento com o pulmão? Se tais causas não tingiam sido ainda conhecidas, embora o tivessem podido ser, é porque o homem se tor-nou de tal modo externo, que nada quis reconhecer senão o natural; era êsse o prazer de seu amor, e por conseguinte era o prazer de seu entendimento; é por isso que elevar o pensamento acima do natural para algum espiritual separado do natural era um desprazer para i,le; é por isso que, por seu amor natural e o prazer dêste amor, <.'le não pôàe pensar senão que o espiritual é um natural mais puro, e que a cor-respondência era alguma cousa que influía por continuidade; e mesmo, o homem inteiramente natural não pode pensar em alguma causa se-parada do natural; isto para êle é como nada. Se estas cousas não foram vistas e por conseguinte não foram conhecidas até ao presente, é também porque tôdas as cousas da religião, que são chamadas espirituais, foram afastadas das vistas do homem, por êste dogma admitido em todo o Mundo Cristão, que é preciso crer cegamente nos teológicos, que são os espirituais que os Concílios e alguns Chefes estabe-leceram, porque, como se diz, êles ultrapassam o entendimento; vem daí que alguns tenham crido que o espiritual é como um pássaro que voa acima do ar no éter, onde a vista do ôlho não alcança, quando entre-tanto o espiritual é como um pássaro do paraíso, que voa perto do ôlho, toca a pupila com suas belas asas, e quer ser visto; pela vista do ôlho é entendida a vista intelectual.
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