SA &412

Sabedoria Angélica
Emanuel Swedenborg
Sobre o Divino Amor e Sobre a Divina Sabedoria

- O que acaba de ser dito pode, em uma sorte de imagem, ser visto e assim confirmado pela correspondência do coração com o amor e do pulmão com o entendimento, pois uma vez que o coração corresponde ao amor, as cousas q!ie dêle deriv<im, isto é, as artérias e as veias, correspondem às afeições, e no pulmão às afeições do vero; e como no pulmão há também outros vasos, que são chamados aeríferos, pelos quais se faz a respiração, êstes vasos por conseqiiência corres-pondem às percepções. E' preciso que se saiba bem que as artérias e as veias no pulmão não são afeições, e cp¿e as respirações não são nem percepções nem pensamentos, mas são correspondcncias, pois agem de ìima maneira correspondente ou sincrônica; do mesmo modo para o coração e o pulmão, êles não são nem o amor nem o entendimento, mas são correspondências; e pois que são correspondências, um pode ser visto no outro; se aquêle que conhece pela anatomia a estrutura do pulmão a compara com o entendimento, pode claramente ver que o entendimento nada faz por si mesmo, não percebe e não pensa cousa alguma por si mesmo, mas cpie tudo faz pelas afeições que pertencem ao amor, as quais no entendimento são chamadas afeição de saber, afei-ção de compreender e afeição de ver o que se sabe e se compreende, afeições de que se tratou acima; com efeito, todos os estados do pul-mão dependem do sangue que vem do coração, da veia cava e da aorta, e as respirações que se fazem nas ramificações bronquiais existem se-gundo o estado destas ramificações, pois o influxo do sangue cessando, a respiração cessa. Pode-se ainda descobrir muitas cousas pela estru-tura do pulmão comparada com o Entendimento ao qual corresponde; mas como a ciência anatômica não é conhecida senão por poucas pes-soas, e como demonstrar ou confirmar um assunto por cousas desco-nhecidas, é pòr o assunto na obscuridade, não se dirá inais sôbre êste ponto. O conhecimento que tenho da estrutura do pulmão convenceu-me plenamente que o amor por suas afeições se conjunta ao entendi-mento, e que o entendimento não se conjunta a afeição alguma do amor, mas que é conjunto recìprocamente pelo amor, a fim de que o amor tenha uma vida sensível e uma vida ativa. Mas é preciso abso-lutamente saber que o homem tem uma dupla respiração, uma do espírito, e outra do corpo, e que a respiração do espírito depende de fibras que partem dos cérebros, e a respiraçâo do corpo dos vasos san-giiíneos que partem do coração, da veia cava e da aorta. Além disso, é evidente que o pensamento produz a respiração, e é ainda evidente que a afeição que pertence ao amor produz o pensamento, pois o pen-samento sem a afeição é absolutamente como a respiração sem o co-ração, a qual não é possível; por aí vê-se claramente que a afeição que pertence ao amor se conjunta ao pensamento que pertence ao enten-dimento, como foi dito acima; semelhantemente como o coração com o pulmão.

📚 Versão Impressa

Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.