SA &425

Sabedoria Angélica
Emanuel Swedenborg
Sobre o Divino Amor e Sobre a Divina Sabedoria

- XX. Não obstante permanece a faculdade de compreender, que é chamada Racionalidade, e a faculdade de agir, que é chamada Liberdade. Tratou-se, acima, ns. 264 a 267, destas duas faculdades que o homem possui. O homem tem estas duas faculdades, para que possa de natural tornar-se espiritual, o que é ser regenerado; pois, como já foi dito, é o amor do homem que se tonta espiritual e é regenerado, e êste amor não pode se tornar espiritual ou ser regenerado, se não sabe por seu entendimento o que é o mal e o que é o bem, e por conseguinte o que é o vero, e o al .". C.' (l falso; cpiando o sabe pode esco-lher um ou outro; e se escol!ie o bem, pode por seu entendimento ser informado dos meios pelos quais pode vir ao bem; todos os meios pelos quais o homem pode vir ao bem sÃo p ovidos; saber e cnmprecnder istes meios vem da Racionalicìade, querê-los e í'azê-los vem da Liber-dade; a liberdade, é também de cp¿ercr sabè-los, compreendê-los e pen-sar nêles. Cousa alguma destas duas Faculdades, que são chamadas Racionalidade e Liberdade, é conhecida daqueles que crêem, pela dou-trina da Igreja, que os Espirituais e os Teológicos estão acima do en-tendimento, e que por consequência é preciso crer nêles sem o entendimento; êstes não podem deixar de negar a faculdade que é chamada Racionalidade; e aquêles que crêem, pela doutrina da Igreja, que nin-guém pode fazer o bem por si mesmo, e que por conscqiic;ncia o bem não deve ser feito por alguma vontade tendo <:m vista a salvação, não podem deixar de negar por princípio de religião estas duas faculdades que o homem possui; é também por isso <adue acpiles cpc se confirmaram nestes princípios são, depois da morte, segundo sua fé, privados de uma e de outra faculdade; e coque estão na Liberdade infernal cpi;indo teriam podido estar na Liberdade celeste, e na Loucura infernal quando teriam podido estar pela Racionalidade na Sabedoria angélica; e, o que é surpreendente, êles reconhecem que estas duas faculdades exis-tem, quando se fazem os males e quando se pensa os falsos, não sa-bendo que a liberdade fazendo os males é a escravidão, e que a ra-cionalidade pensando os falsos é a irracionalidade. Mas é preciso que se saiba bem que estas duas faculdades, a Liberdade e a Racionali-dade, pertencem não ao homem, mas ao Senhor no homem, e que não podem ser apropriadas ao homem como sendo dêle, nem ser dadas como sendo dêle, mas que pertencem contìnuamente ao Senhor nêle, e que entretanto não são jamais retiradas do homem, e isso, porque sem elas o homem não pode ser salvo, pois sem elas não pode ser regenerado, como já foi dito; é por isso que o homem da Igreja é informado de que não pode pensar o vero por si mesmo, nem fazer o bem por si mesmo. Mas como o homem não percebe outra causa, senão que pensa o vero por si mesmo, e faz o bem por si mesma, é muito evidente que deve crer que pensa o vero como por si mesmo, e que faz o bem como por si mesmo; pois se não cn": isso, então ou não pensa o vero e não faz o bem, e assim não tem religião alguma, ou pensa o vero e faz o bem por si mesmo, e então se atribui o que é Divino. Que o homem deve pensar o vero e fazer o bem como por si mesmo, vê-se na Doutrina de Vid,a para a Nova Jerusalém, desde o comèço até ao fim.

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