DIVPROV &4

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. (ii.) O Divino Amor e a Divina Sabedoria procedem do Senhor como um só. Isto também é evidente pelas coisas que foram demonstradas no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria, principalmente por estas que ali se acham: o Ser e o Existir no Senhor são distintamente um (n° 14-17); no Senhor, os infinitos são distintamente um (n° 17-22); o Divino Amor pertence à Divina Sabedoria e a Divina Sabedoria ao Divino Amor (n° 34-39); o amor nada pode fazer sem o casamento com a sabedoria (n° 401-403); o amor nada efetua senão em conjunção com a sabedoria (n° 409 e 410); o calor espiritual e a luz espiritual, ao procederem do Senhor como Sol, fazem um, assim como o Divino Amor e a Divina Sabedoria são um (n° 99-102). Pelo que foi demonstrado nessas passagens vê-se a verdade deste assunto. Mas, visto que se ignora de que maneira duas coisas que sejam distintas entre si podem agir como uma unidade, quero mostrar aqui que [primeiro:] a unidade sem a forma não existe, mas a forma mesma faz a unidade; e, em seguida, [segundo:] que a forma faz mais perfeitamente a unidade à medida que as coisas que entram na forma são distintamente diferentes e, no entanto, unidas.
[2] [Primeiro:] Que não exista a unidade sem a forma, mas que a forma mesma faça a unidade. Todo aquele que pensa com concentração da mente pode ver claramente que a unidade não existe sem a forma, e, se existe, tem uma forma. Com efeito, tudo o que existe tira da forma o que se chama qualidade e também o que se chama predicado, como também o que se chama mudança de estado e o que se chama relativo e outras coisas semelhantes. Por isso, o que não está numa forma não é de afeição alguma, e o que não é de afeição alguma também é uma coisa nula; a forma mesma dá tudo isso. E como todas as coisas que estão numa forma - se a forma é perfeita - relatam-se mutuamente, assim como um elo a outro elo numa corrente, segue-se daí que a forma mesma faz a unidade e, assim, o sujeito a que se pode atribuir a qualidade, o estado, a afeição e, assim, alguma coisa, segunda a forma da perfeição.
[3] Tal unidade é tudo o que se vê no mundo com os olhos, mas tal unidade é também tudo o que não se vê com os olhos, seja na natureza interior, seja no mundo espiritual. Essa unidade é o homem, essa unidade é a sociedade humana e essa unidade é a igreja, como também é todo o céu angélico diante do Senhor. Numa palavra, essa unidade é o universo criado não somente no geral, mas também em todo particular. Para que todas e cada uma das coisas sejam formas, é necessário que Aquele que criou todas as coisas seja a Forma mesma, e que da Forma mesma existam todas as coisas que foram criadas em formas. É isto, pois, que foi demonstrado no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria: o Divino Amor e a Divina Sabedoria são substância e são forma (n° 40-43); o Divino Amor e a Divina Sabedoria são a forma em si mesma e, por conseguinte, a forma mesma e única (n° 44-46); o Divino Amor e a Divina Sabedoria são um no Senhor (n° 14-17 e 18-22); e procedem como um do Senhor (n° 99-102 e outras passagens).
[4] [Segundo:] Que a forma faça mais perfeitamente a unidade à medida que as coisas que entram na forma sejam diferentes e, no entanto, unidas. Isso dificilmente entra no entendimento a não ser que este se eleve, porquanto a aparência é que a forma não pode fazer a unidade a não ser por meio de semelhanças de igualdades daqueles que constituem a forma. Falei com os anjos algumas vezes sobre este assunto e eles disseram que isto é um arcano que os mais sábios dentre eles percebem claramente, mas os menos sábios percebem obscuramente. Mas, que seja verdade que essa forma é mais perfeita à medida que as coisas que a fazem sejam distintamente diferentes e, todavia, unidas de um modo singular, eles o confirmaram pelas sociedades nos céus, que, tomadas em conjunto, constituem a forma do céu, e pelos anjos de cada uma das sociedades nisto, que, quanto mais cada um é distinto, portanto livre e, assim, como se por si mesmo e por sua afeição ama os consociados, mais perfeita é a forma da sociedade. Também ilustraram isso pelo casamento do bem e do vero, em que quanto mais os dois são distintos, mais perfeita podem fazer uma unidade. É o mesmo em relação ao amor e à sabedoria. O que é indistinto é confuso, do que resulta toda imperfeição da forma.
[5] De que maneira, porém, as coisas perfeitamente distintas se unem e fazem uma unidade assim, também o confirmaram por muitas coisas, principalmente pelas que se acham no homem, em quem coisas inumeráveis são distintas assim e, todavia, unidas; são distintas por coberturas, mas unidas por ligamentos. Dá-se de modo semelhante em relação ao amor e todas as suas coisas, como também em relação à sabedoria e todas as suas coisas, os quais não são percebidos de outro modo senão como uma unidade. Sobre isso, vide muitas coisas no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria (n° 14-22) e na obra O Céu e o Inferno (n° 56 e 489). Isto foi relatado porque pertence à sabedoria angélica.

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