. Muitos reconhecem que existe uma substância única, que também é a primeira, da qual procedem todas as coisas, mas não se sabe qual é essa substância. Crê-se, assim, que ela é simples de tal maneira que nada existe de mais simples, podendo ser comparada ao ponto, cuja dimensão é nula, e que é de um número infinito desses pontos que existem as formas das dimensões. Mas isto é uma falácia, oriunda da idéia do espaço, pois dessa idéia parece haver tal mínimo. A verdade, porém, é que quanto mais simples e mais pura uma coisa é, mais ela é plena e completa. Esta é a razão pela qual quanto mais se olha interiormente algum objeto, mais se observam ali coisas mais admiráveis, mais perfeitas e mais formosas. Assim, na substância primeira há as coisas mais admiráveis, mais perfeitas e mais formosas de todas. Que isto seja assim é porque a substância primeira procede do Sol espiritual que, como foi dito, é proveniente do Senhor e no qual o Senhor está. Por conseguinte, esse Sol espiritual é a única substância, a qual, por não se achar no espaço, é tudo em todas as coisas, tanto nas maiores quanto nas menores do universo criado.
[2] Como esse Sol é a substância primeira e única da qual existem todas as coisas, segue-se que nela existem infinitamente mais coisas do que podem aparecer nas substâncias dali oriundas, que são chamadas substanciadas e, por fim, matérias. Que estas não possam aparecer naquelas é porque descendem desse Sol por meio de graus de dois gêneros, segundo os quais todas as perfeições decrescem. Assim é que, como acima se disse, quanto mais interiormente se observa alguma coisa, mais admiráveis, perfeitas e formosas são as coisas que se notam. Essas coisas foram ditas para que se confirme que o Divino está numa espécie de imagem em tudo o que foi criado, mas que aí aparece cada vez menos na descida por meio de graus, e ainda menos quando o grau inferior separado do grau superior é bloqueado pela oclusão das matérias terrestres. Essas coisas, porém, serão tidas como obscuras se não for lido e compreendido o que foi demonstrado no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria sobre o Sol espiritual (n° 83-172), sobre os graus (n° 173-281) e sobre a criação do universo (n° 282-357).
Versão Impressa
Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.