DIVPROV &11

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Decerto se sabe que todas as coisas no universo se referem ao bem e ao vero, porque pelo bem se entende o que universalmente abrange e envolve todas as coisas do amor, e pelo vero se entende o que universalmente abrange e envolve todas as coisas da sabedoria. Mas ainda não se sabe que o bem não é coisa alguma senão quando unido ao vero, nem que o vero não é coisa alguma senão quando unido ao bem. É certo que parece que o bem é alguma coisa sem o vero, e que o vero é alguma coisa sem o bem, porém não o são. Com efeito, o amor (cujas coisas são todas chamadas bens) é o Ser da coisa, e a sabedoria (cujas coisas são todas chamadas veros) é o Existir da coisa por aquele Ser, como se mostrou no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria (n° 14-16). Por isso, assim como o Ser sem o Existir não é coisa alguma, nem o Existir sem o Ser, assim também o bem sem o vero e o vero sem o bem não são coisa alguma. Por semelhante modo, o que é o bem sem uma relação a algo? Acaso pode ser chamado bem? Pois é de afeição nula e de nula percepção.
[2] Aquilo que, unido ao bem, afeta e se faz perceber e sentir se refere ao vero, porque a este se refere o que está no entendimento. Dize a alguém "bem" somente, e não "isso ou aquilo é um bem"; acaso esse bem é alguma coisa? Mas por isso ou aquilo que se percebe como unido ao bem, torna-se alguma coisa. O vero não se conjunta ao bem em parte alguma senão no entendimento, e todo o entendimento se refere ao vero. É semelhante em relação ao querer: querer sem saber, perceber e pensar aquilo que o homem quer não é coisa alguma, mas unido a isso torna-se alguma coisa. Todo querer é do amor e se refere ao bem, e todo saber, perceber e pensar é do entendimento e se refere ao vero. Daí é evidente que querer não é coisa alguma, mas querer isso ou aquilo é alguma coisa.
[3] Ocorre o mesmo em relação a todo uso, visto que o uso é o bem. Se o uso não for determinado para alguma coisa com a qual seja um, não é uso, portanto, não é coisa alguma. O uso tira o que é seu do entendimento, e aquilo que daí é conjunto ou adjunto ao uso se refere ao vero; é daí que o uso tira sua qualidade.
[4] Por essas poucas coisas pode-se ver que o bem sem o vero não é coisa alguma; por conseguinte, tampouco o vero é alguma coisa sem o bem. Foi dito que o bem com o vero e o vero com o bem são alguma coisa; daí se segue que o mal com o falso e o falso com o mal não são coisa alguma, porque estes são opostos àqueles e o oposto destrói; no caso aqui, destrói o que é alguma coisa. Sobre isso, porém, dir-se-á na seqüência.

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