. Toda conjunção no mundo espiritual se faz por meio da inspeção. Quando alguém ali pensa em outro pela afeição de falar com ele, o outro se faz imediatamente presente e vê aquele face a face. Dá-se de modo semelhante quando alguém pensa em outro pela afeição do amor, mas por esta afeição se faz a conjunção, enquanto por aquela se faz somente a presença. Esta peculiaridade existe no mundo espiritual em razão de todos ali serem espirituais, diferentemente do mundo natural, em que todos são materiais. No mundo natural acontece semelhantemente com os homens, nas afeições e pensamentos de seus espíritos, mas como no mundo natural há espaços e no mundo espiritual os espaços são aparências, por isso naquele mundo se faz realidade aquilo que está no pensamento de cada espírito.
[2] Estas coisas foram ditas para que se saiba de que maneira se faz a conjunção do Senhor com os anjos e a aparente conjunção recíproca dos anjos com o Senhor. Com efeito, todos os anjos voltam a face para o Senhor, e o Senhor os olha na fronte, enquanto os anjos olham o Senhor nos olhos. A causa disso é que a fronte corresponde ao amor e suas afeições, e os olhos correspondem à sabedoria e suas afeições. Contudo, os anjos não voltam por si mesmos a face para o Senhor, mas é o Senhor que os volta para Si, e os volta pelo influxo do amor em suas vidas e, por este, entra nas percepções e pensamentos e assim os volta.
[3] Em todas as coisas da mente humana existe um ciclo do amor para os pensamentos e dos pensamentos para o amor pelo amor, ciclo esse que pode ser chamado ciclo da vida. Sobre isso vê-se também alguma coisa no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria, por exemplo: os anjos voltam continuamente a face para o Senhor como Sol (n° 129-134); todos os interiores dos anjos, tanto da mente quanto do corpo, são semelhantemente voltados para o Senhor como Sol (n° 135-139); cada espírito, qualquer que seja, semelhantemente se volta para seu amor reinante (n° 140-145); o amor se conjunta à sabedoria e faz com que a sabedoria seja reciprocamente conjunta (n° 410-412); os anjos estão no Senhor e o Senhor está neles; e como os anjos são recipientes, o Senhor, só, é o céu (n° 113-118).
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