. (i.) O céu é a conjunção com o Senhor. O céu não é céu pelos anjos, mas pelo Senhor, pois o amor e a sabedoria em que os anjos estão e fazem o céu não provêm deles, mas do Senhor, e são mesmo o Senhor neles. E como o amor e a sabedoria são do Senhor e são o Senhor ali, e o amor e a sabedoria fazem a vida deles, é evidente também que a vida deles pertence ao Senhor e é mesmo o Senhor. Que os anjos vivam pelo Senhor, eles mesmos o confessam. Assim se pode ver que o céu é a conjunção com o Senhor. Como, porém, existe uma variedade de conjunções com o Senhor e, por isso, um céu não é semelhante a outro, segue-se também que o céu é céu segundo a conjunção com o Senhor. Que haja uma conjunção cada vez mais próxima e uma cada vez mais remota, é o que se verá no artigo seguinte.
[2] Aqui se dirá alguma coisa sobre essa conjunção, de que modo se faz e qual ela é. Existe uma conjunção do Senhor com os anjos e uma dos anjos com o Senhor, por conseguinte, recíproca. O Senhor influi no amor da vida dos anjos, os anjos recebem o Senhor na sabedoria e por ela se conjuntam por sua vez com o Senhor. Mas cumpre saber muito bem que aos anjos parece que se conjuntam com o Senhor pela sabedoria, já que a sabedoria deles é também proveniente do Senhor, mas é o Senhor que os conjunta a Si pela sabedoria. É a mesma coisa dizer que o Senhor Se conjunta aos anjos pelo bem e os anjos, por sua vez, se conjuntam ao Senhor pelo vero, pois todo bem pertence ao amor e todo vero pertence à sabedoria.
[3] Mas, como essa conjunção recíproca é um arcano que poucos podem entender sem explicação, quero desenvolver isso, tanto quanto possível, por explicações que possam ser compreendidas. No tratado Divino Amor e Divina Sabedoria (n° 404 e 405), mostrou-se de que maneira o amor se conjunta à sabedoria, ou seja, é pela afeição de saber, da qual procede a afeição do vero, pela afeição de entender, da qual procede a percepção do vero, e pela afeição de viver o que se sabe e o que se entende, do que procede o pensamento. O Senhor influi em todas essas afeições, pois elas são derivações provenientes do amor da vida de cada um, e os anjos recebem esse influxo na percepção do vero e no pensamento, pois é neles que o influxo se lhes manifesta, mas não nas afeições.
[4] Ora, visto que as percepções e os pensamentos parecem aos anjos como se lhes pertencessem, quando, todavia, são provenientes das afeições que vêm do Senhor, daí vem a aparência de que são os anjos que se conjuntam reciprocamente ao Senhor, embora seja o Senhor que os conjunta a Si. A afeição mesma as produz, visto que a afeição que pertence ao amor é a sua alma. Com efeito, ninguém pode perceber e pensar sem a afeição, e cada um percebe e pensa segundo a afeição. Por essas duas explicações fica evidente que a conjunção recíproca dos anjos com o Senhor não é proveniente deles, mas como se fosse deles. Assim é também a conjunção do Senhor com a igreja e da igreja com o Senhor, conjunção essa que se chama casamento celeste e espiritual.
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