DIVPROV &50

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. Visto que os anjos e os espíritos são afeições que pertencem ao amor e aos pensamentos daí provenientes, por isso não estão no espaço e no tempo, mas somente na aparência destes. A aparência do espaço e do tempo é para eles segundo as afeições e os pensamentos delas provenientes; por isso, quando alguém pensa pela afeição em outrem, com a intenção de querer vê-lo ou de falar com ele, este se faz imediatamente presente.
[2] Assim é que em cada homem estão presentes espíritos que estão na mesma afeição que ele; maus espíritos com aqueles que estão em semelhante afeição do mal e bons espíritos com aqueles que estão em semelhante afeição do bem. E eles estão presentes de tal modo, que é como alguém incluído numa sociedade. Espaço e tempo em nada contribuem para a presença, pelo fato de a afeição e o pensamento daí proveniente não estarem no espaço e no tempo, e os espíritos e anjos são afeições e pensamentos delas provenientes.
[3] Que isto seja assim, é o que me foi dado saber por viva experiência de muitos anos, como também pelo seguinte: falei com muitos após a morte, não só com os que eram da Europa e de seus vários reinos, mas também com os que eram de vários reinos da Ásia e da África, e todos estavam próximos a mim, pelo que se houvesse para eles espaço e tempo, haveria um deslocamento se interpondo e uma progressão no tempo.
[4] E mesmo cada pessoa sabe isso pelo ínsito gravado nela ou em sua mente. É um fato que me foi comprovado pelo seguinte: que ninguém pensou em alguma distância de espaço quando narrei que tinha falado com alguém, já falecido, na Ásia, África ou Europa, como, por exemplo, com Calvino, Lutero, Melancton ou com algum rei, governador ou sacerdote numa região longínqua; nem mesmo ocorreu no pensamento de alguém dizer: "Como pôde ele falar com os que viveram ali? E como aqueles puderam vir e estar presentes quando há, contudo, terras e mares entre eles?" Pelo que tornou-se-me evidente que ninguém pensa segundo o espaço e o tempo quando pensa nos que estão no mundo espiritual. Que haja para eles, todavia, uma aparência de espaço e de tempo, vê-se na obra O Céu e o Inferno (n° 162-169 e 191-199).

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