. Dá-se de modo semelhante com os homens quanto às suas afeições que são do amor e às percepções que são da sabedoria: a variedade de umas e outras é infinita e eterna, do mesmo modo que as frutificações e multiplicações delas, que são espirituais. Nenhum homem goza de afeição e percepção tão semelhantes às de outro a ponto de serem as mesmas, nem podem sê-lo na eternidade. E também as afeições podem frutificar e as percepções se multiplicar sem fim. Sabe-se que as ciências não podem jamais serem exauridas. Essa faculdade de frutificação e multiplicação sem fim, ou no infinito e no eterno, está nas coisas naturais nos homens, nas espirituais nos anjos espirituais e nas celestes nos anjos celestes. São assim não somente as afeições, percepções e ciências no geral, mas também cada coisa delas em particular, até as mínimas. São tais porque existem do Infinito e Eterno em si pelo Infinito e Eterno por si. Mas como o finito não tem em si coisa alguma do Divino, por isso não existe coisa alguma, sequer a mínima, no homem ou no anjo, que lhe pertença. Porque o homem e o anjo são finitos e são somente um receptáculo, que é morto em si. O que é seu de vivo é procedente do Senhor, conjunto a ele por contigüidade, que lhe parece como se fosse seu. Que seja assim, é o que se verá na seqüência.
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