DIVPROV &106

Sabedoria Angélica sobre a DIVINA PROVIDÊNCIA
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Divina Providência

. (ii.) O externo do pensamento do homem é em si tal qual é o seu interno. Mostrou-se anteriormente que o homem, da cabeça aos pés, é tal qual é o amor de sua vida. Aqui, pois, se dirá alguma coisa sobre o amor da vida do homem, uma vez que antes disso nada se pode dizer das afeições que, unidas às percepções, fazem um com o interno do homem, e das afeições dos prazeres unidas aos pensamentos, que fazem o seu externo. Os amores são múltiplos, mas há dois deles que são como senhores e reis: o amor celeste e o amor infernal. O amor celeste é o amor ao Senhor e para com o próximo, e o amor infernal é o amor de si e do mundo. Estes e aqueles amores são opostos entre si assim como o são o céu e o inferno, pois quem está no amor de si e do mundo a ninguém quer bem exceto a si mesmo, e quem está no amor ao Senhor e para com o próximo quer bem a todos. Esses dois amores são os amores da vida do homem, mas com muita variedade. O amor celeste é o amor da vida daqueles a quem o Senhor conduz, e o amor infernal é o amor da vida daqueles a quem o diabo conduz.
[2] Mas o amor da vida de cada um não pode existir sem as derivações que se chamam afeições. As derivações do amor infernal são as afeições do mal e do falso, propriamente concupiscências; e as derivações do amor celeste são as afeições do bem e do vero, propriamente dileções. As afeições do amor infernal, que são propriamente concupiscências, são tantas quantos são os males, e as afeições do amor celeste, que são propriamente dileções, são tantas quantos são os bens. O amor habita em suas afeições assim como um senhor habita em seu domínio ou como um rei em seu reino. O domínio e reino deles é sobre as coisas que estão na mente, isto é, que são da vontade e do entendimento do homem e, daí, do corpo. O amor da vida do homem, por suas afeições e percepções daí e pelos prazeres e pensamentos daí, governa todo o homem: o interno de sua mente por meio das afeições e, daí, percepções, e o externo da mente pelos prazeres das afeições e, daí, pensamentos.

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