. Por aí se pode ver agora que, para que o homem seja purificado das concupiscências dos males, os males do homem externo devem ser inteiramente afastados, pois antes disso não há saída para as concupiscências; e se não há saída, as concupiscências permanecem dentro, exalam de si os prazeres e assim impelem o homem ao consentimento, por conseguinte, ao fato. As concupiscências entram no corpo pelo externo do pensamento; portanto, quando o consentimento está no externo do pensamento, elas estão imediatamente no corpo; ali está o prazer que se sente. Qual é a mente, tal é o corpo, assim, o homem todo, como se vê no tratado Divino Amor e Divina Sabedoria (n° 362-370). Isso pode ser ilustrado por comparações e também exemplos.
[2] Por comparações: as concupiscências com os seus prazeres podem ser comparadas ao fogo que, quanto mais alimentado, mais se inflama; e quanto mais livre curso tem, mais amplamente se espalha, até consumir as casas de uma cidade e as árvores de uma floresta. As concupiscências do mal são também comparadas na Palavra ao fogo, e os males daí a um incêndio. As concupiscências do mal com os seus prazeres também aparecem no mundo espiritual como um fogo; o fogo infernal não é outra coisa. Também podem ser comparadas a dilúvios e inundações de águas, quando as barreiras ou represas se rompem. Também podem ser comparadas à gangrena e aos abscessos, que levam o corpo à morte, se se espalharem ou se não forem curados.
[3] Por exemplos: Vê-se claramente que, se os males no homem externo não forem afastados, as concupiscências com seus prazeres crescem e superabundam. O ladrão, quanto mais rouba, mais cobiça roubar, até finalmente não poder desistir; o mesmo ocorre com o fraudador, quanto mais frauda, e o mesmo ocorre com o ódio e a vingança, com a luxúria e a intemperança, com a devassidão, com a blasfêmia e coisas semelhantes. Sabe-se que o amor de dominar pelo amor de si aumenta quanto mais se lhe soltam os freios. Do mesmo modo, o amor de possuir bens pelo amor do mundo parece como não ter limite ou fim. Por esses exemplos vê-se que quanto mais os males nos homem externo não forem afastados, mais as suas concupiscências superabundam. E vê-se, também, que na medida que aos males se soltam os freios, no mesmo grau as concupiscências aumentam.
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